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HCFMUSP lança pós-graduação em saúde LGBTQIAP+

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) passou a oferecer o primeiro curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Saúde à População LGBTQIAP+ aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). A iniciativa é conduzida pelo HCX Fmusp, centro educacional e de gestão do conhecimento do complexo hospitalar, e é voltada a profissionais graduados de diferentes áreas da saúde.

O curso surge em um contexto de crescente reconhecimento dos desafios específicos enfrentados pela população LGBTQIAP+ no acesso aos serviços de saúde, incluindo barreiras relacionadas à discriminação, à violência, à saúde mental e à invisibilidade clínica de determinadas demandas. A proposta formativa responde à necessidade de qualificação técnica e acadêmica para um cuidado mais estruturado, ético e baseado em evidências.

Segundo o psiquiatra Daniel Mori, coordenador do ambulatório transdisciplinar de identidade de gênero e orientação sexual do Instituto de Psiquiatria do HC e coordenador da pós-graduação, a complexidade dessas demandas exige uma abordagem multiprofissional. “A necessidade de enfrentar desafios específicos relacionados à discriminação, violência, acesso a serviços de saúde e promoção do bem-estar da população LGBTQIAP+, aliada à crescente demanda por profissionais qualificados e capacitados para lidar com essas questões, exige uma abordagem multiprofissional cada vez mais evidente”.

Com carga horária de 456 horas, o curso se diferencia pelo aprofundamento acadêmico em temas ligados à identidade de gênero e orientação sexual, abordando as especificidades de cada grupo da sigla LGBTQIAP+. A formação integra disciplinas clínicas e áreas como psiquiatria, psicologia, urologia, endocrinologia, infectologia, geriatria, antropologia, serviço social e cirurgia plástica, entre outras.

“A ideia é a gente aprofundar nas particularidades em saúde, mas de uma maneira muito mais multidisciplinar e acadêmica”, explica Mori. “A proposta é sensibilizar os alunos para olhar a questão de maneira humanizada, estando atento e respeitando todos os direitos que essa população tem, inclusive acesso à saúde, educação, emprego, lazer”.

O coordenador destaca ainda que, por se tratar de uma pós-graduação, o curso permite o fortalecimento da formação acadêmica dos alunos, com incentivo à pesquisa científica, elaboração de projetos e desenvolvimento de trabalhos de conclusão voltados à temática. Esse eixo contribui para a produção de conhecimento e para a qualificação do debate técnico sobre a saúde da população LGBTQIAP+ no país.

O atendimento a essa população envolve demandas frequentemente invisibilizadas na prática clínica, o que pode gerar dificuldades na condução das consultas, especialmente em temas ligados à sexualidade, prevenção e saúde mental. “Não por ser LGBT, mas porque é uma população vulnerável que sofre mais com o preconceito e está sujeita ao estresse de minorias, o que acaba tendo impacto enorme na saúde”, ressalta Mori.

Embora o censo demográfico brasileiro ainda não contemple dados específicos sobre identidade de gênero e orientação sexual, estimativas apontam que a população LGBTQIAP+ represente entre 2 e 5% da população nacional. Esse contingente reforça a necessidade de políticas de formação e educação continuada capazes de reduzir lacunas históricas da graduação na área da saúde.

Mori também relaciona a iniciativa ao papel da educação continuada diante dos desafios atuais da formação médica e multiprofissional: “Daí a importância de primeiro colocar o aluno em contato com uma rede de especialistas que tem familiaridade e já estuda essa temática para que o aluno também aprenda, se atualize, tenha acesso a conteúdo de qualidade e possa se instrumentalizar para garantir um atendimento ético, humanizado e eficaz ao paciente”.

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