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Preocupações do setor de saúde quanto à supressão da jornada 6×1

O segmento de prestação de serviços de saúde, representado pelas Santas Casas de Misericórdia, Hospitais Filantrópicos e Hospitais Privados de todo o país, vem, respeitosamente, manifestar sua profunda preocupação em relação às discussões em curso acerca da supressão da jornada de trabalho no formato 6×1

Reconhecemos a relevância e a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho, a valorização dos profissionais e a busca por modelos laborais mais equilibrados. Contudo, é imprescindível que tal discussão considere as especificidades do setor de saúde, cuja atividade é contínua, ininterrupta e essencial à garantia do direito fundamental à vida e à saúde da população. 

Atualmente, os hospitais brasileiros — tanto de natureza filantrópica quanto privados — enfrentam um cenário de acentuada fragilidade financeira, marcado por elevados custos operacionais, subfinanciamento crônico, defasagem de repasses públicos, limitações contratuais e crescente demanda assistencial. 

Nesse contexto, a supressão da escala 6×1, se realizada de forma imediata e sem medidas compensatórias, poderá acarretar aumento expressivo de despesas, necessidade de ampliação do quadro funcional e impactos diretos na sustentabilidade econômico-financeira das instituições. 

Some-se a esse quadro a escassez de mão de obra qualificada no setor da saúde. Diversas categorias profissionais exigem formação técnica e especializada, o que dificulta sobremaneira a reposição ou expansão de equipes. A supressão abrupta da jornada 6×1 tende a agravar essa realidade, comprometendo a organização das escalas, a continuidade da assistência e, consequentemente, a qualidade do atendimento prestado à população. 

Diante desse cenário, entendemos que a supressão da jornada 6×1, nos moldes atualmente debatidos, gera significativa preocupação para os prestadores de serviços de saúde. Assim, como alternativas mais compatíveis com a realidade do setor, sugerimos que sejam consideradas: 

  • a possibilidade de adoção ou ampliação de modelos de jornada já consolidados, como a jornada 12×36, reconhecida legalmente e compatível com a dinâmica assistencial hospitalar;
  • a criação de incentivos ou mecanismos compensatórios decorrentes da redução da jornada, desde que não resultem em aumento de encargos trabalhistas ou previdenciários; 
  • a previsão de que eventual mudança relacionada à supressão da escala 6×1 ocorra de forma gradual e a médio prazo, assegurando às instituições um período adequado de adaptação estrutural, financeira e organizacional. 

Nosso objetivo maior é a preservação da continuidade, da eficiência e da qualidade da assistência à saúde da população brasileira. Para tanto, é fundamental que qualquer alteração legislativa seja construída com diálogo, responsabilidade e sensibilidade às condições reais enfrentadas pelos prestadores de serviços hospitalares. 

Colocamo-nos à inteira disposição de Vossas Excelências para contribuir com este debate, por meio da apresentação de dados, estudos técnicos e experiências práticas, a fim de colaborar na construção de uma solução equilibrada, viável e socialmente responsável. 

Certos da atenção de Vossas Excelências, renovamos nossos protestos de elevada estima e consideração.

Signatários de Apoio desta Carta

CNSAUDE/SP 

FIESP 

FESAUDE 

FEHOSP 

AHOSP 

SICOMED 

SINANGE 

SINDHOSP 

SINDHOSFILVP 

SINDHOSFILRP 

SINBIF/SP 

SANTA CASA/SP 

Santa Casa de Piracicaba 

Santa Casa de Rio Claro 

Santa Marcelina 

Santa Casa Bragança Paulista 

Santa Casa de Marília 

Santa Casa de Marília 

Hospital Nipo Brasileiro

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Caminhos de Damasco

CEJAM 

Hospital São Camilo 

SECONCI-SP 

HOSPITAL SEPACO 

Santa Casa de Jau 

HOSPITAL ALBERT EISTEIN

SPDM – Pais 

Fundação ABC 

Beneficência Portuguesa

Rede Santa Catarina

Assinado por: Dr. Edison Ferreira da Silva, Presidente do Sindhosfil/SP

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