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Mieloma múltiplo: novo exame amplia precisão no monitoramento

O diagnóstico e o acompanhamento do mieloma múltiplo começam a incorporar, no Brasil, métodos laboratoriais mais sensíveis, em linha com a evolução das terapias onco-hematológicas. Nesse movimento, a Binding Site, especializada em diagnósticos em imunologia e integrante do grupo Thermo Fisher Scientific, passa a disponibilizar no país o exame EXENT®, baseado em espectrometria de massas do tipo MALDI-ToF para identificação de proteínas monoclonais no soro.

A tecnologia permite diferenciar cadeias leves kappa e lambda por meio da análise do perfil massa/carga, viabilizando a detecção de clones tumorais em concentrações mínimas. Na prática, o método amplia a capacidade de identificar doença residual mensurável sem recorrer a procedimentos invasivos, como a biópsia de medula óssea, um ponto relevante para a experiência do paciente e para a rotina de acompanhamento clínico em serviços de alta complexidade.

Para Elyara Soares, diretora científica da Binding Site Brasil e doutora em Imunologia pela Universidade de Michigan, o ganho de sensibilidade tem impacto direto no cuidado. “A possibilidade de detectar a proteína M em níveis muito baixos amplia a capacidade de avaliar a profundidade da resposta ao tratamento e pode auxiliar na identificação precoce de recaídas”, afirma.

Limitações dos métodos atuais

O mieloma múltiplo é o terceiro câncer hematológico mais frequente no mundo, com cerca de 188 mil novos casos por ano, incluindo mais de 7 mil no Brasil. Embora os avanços terapêuticos tenham ampliado a sobrevida, a doença permanece sem cura, o que torna o monitoramento contínuo da resposta terapêutica um componente central do manejo clínico.

Exames consagrados, como eletroforese de proteínas e imunofixação, seguem como padrão na prática laboratorial, mas apresentam limitações na detecção de concentrações muito baixas da proteína M — principal biomarcador da doença. Como consequência, pacientes classificados como em remissão completa podem manter atividade residual não detectada por essas técnicas, o que impõe riscos para decisões clínicas e para a avaliação de efetividade terapêutica.

Adoção tecnológica

Para Fulvio Facco, country manager da Binding Site no Brasil, a incorporação de exames baseados em espectrometria de massas acompanha a sofisticação crescente dos tratamentos oncológicos. “À medida que as terapias se tornam mais eficazes, cresce a necessidade de métodos capazes de monitorar a doença em níveis cada vez mais baixos, com menor impacto para o paciente”, pontua.

Em um contexto de medicina cada vez mais orientada por valor, a capacidade de mensurar doença residual com maior precisão pode se traduzir em ganhos assistenciais e em decisões terapêuticas mais informadas.

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