O varejo farmacêutico brasileiro encerrou 2025 com crescimento consistente e reafirmou seu papel estrutural no acesso da população a medicamentos e produtos de saúde. Levantamento da IQVIA (MAT dezembro/2025), encomendado pela Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma), aponta que o setor movimentou R$ 246,1 bilhões, avanço de 11,3% em relação a 2024.
Em volume, foram comercializadas 8,4 bilhões de unidades, crescimento de 4,1% no período. O indicador de faturamento considera o CPP (preços ao consumidor final), métrica que reflete o valor das vendas no varejo farmacêutico sem ajustes inflacionários.
O desempenho também se manteve sólido no recorte do canal de distribuição, responsável por abastecer parte relevante do varejo. Nesse segmento, o faturamento alcançou R$ 133,1 bilhões, com alta de 8,3%, enquanto o volume chegou a 4,7 bilhões de unidades, crescimento de 2,0%. Atualmente, cerca de 54% do varejo farmacêutico brasileiro é abastecido pelo canal de distribuição.
Para Oscar Yazbek Filho, presidente-executivo da Abafarma, o resultado evidencia a robustez estrutural do setor diante das transformações demográficas e tecnológicas no campo da saúde.
“Isso demonstra o quanto o mercado farmacêutico é resiliente e impactado por questões como o envelhecimento da população, a chegada de novas terapias e o aumento do acesso às medicações”, afirma.
Expansão do Norte
O crescimento foi registrado em todas as regiões do país, mas com ritmos diferentes. No canal de distribuição, a região Norte liderou a expansão percentual, com alta de 11,4% em faturamento. Na sequência aparecem:
- Nordeste: +9,9%
- Sul: +7,9%
- Sudeste: +7,4%
- Centro-Oeste: +7,3%
A média nacional foi de 8,3%.
Apesar do avanço proporcional mais elevado no Norte, o Sudeste permanece como o principal polo de consumo farmacêutico, concentrando 44,7% do faturamento nacional, o equivalente a R$ 59,6 bilhões. O ranking de participação segue com:
- Nordeste: 21,9% (R$ 29,2 bilhões)
- Sul: 15,7% (R$ 20,9 bilhões)
- Centro-Oeste: 11,0% (R$ 14,7 bilhões)
- Norte: 6,6% (R$ 8,8 bilhões)
A liderança percentual do Norte está associada, em grande parte, ao efeito de base comparativa menor e à expansão da cobertura logística e da rede de distribuição, fatores que ampliam o acesso ao varejo farmacêutico em regiões historicamente menos atendidas.
Consolidação do varejo
Outro movimento relevante do período foi a expansão das associações e franquias no varejo farmacêutico, que registraram crescimento acima da média do setor tanto no mercado total quanto no canal de distribuição.
- Associações e franquias: +10,7% no canal de distribuição e +11,5% no mercado total
- Redes de farmácias e drogarias: +1,8% no canal de distribuição e +9,9% no mercado total
- Farmácias independentes: +0,5% no canal de distribuição e +1% no mercado total
O desempenho reforça uma tendência de maior organização do varejo farmacêutico, com grupos regionais fortalecendo estruturas associativas e ampliando sua capacidade de competir em escala, mantendo ao mesmo tempo presença local.
Medicamentos impulsionam crescimento
No recorte por categorias, os medicamentos seguiram como principal vetor de expansão do setor no canal de distribuição.
O destaque ficou com os medicamentos genéricos, que registraram crescimento de 15,5% em faturamento. Na sequência aparecem:
- Medicamentos de prescrição: alta de cerca de 7,5%
- Medicamentos isentos de prescrição (MIP): crescimento próximo de 1,7%
- Não medicamentos (cuidado pessoal, nutrição e autocuidado): avanço de cerca de 9%
Os números indicam que o aumento do faturamento ocorreu acima da inflação medida pelo IPCA, que acumulou 4,26% em 2025, segundo o IBGE. Combinado ao crescimento em unidades comercializadas, o desempenho sugere manutenção da demanda e ampliação do acesso da população a medicamentos e produtos de saúde.
O cenário reforça o papel estratégico do varejo farmacêutico dentro da cadeia assistencial. Em um sistema pressionado por envelhecimento populacional, incorporação de novas terapias e necessidade de ampliação do acesso, a capilaridade do varejo e a eficiência logística da distribuição tornam-se peças centrais na equação de acesso à saúde no país.














