A mudança no comando da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) ocorre em um momento de tensão operacional e institucional para o setor. Ronaldo Sampaio assume a presidência a partir de 1º de julho com um cenário marcado por desafios financeiros e pela necessidade de articulação política mais intensa.
O novo conselho inclui Guilherme Laurindo de Andrade como vice-presidente e Agata Cordeschi como diretora e sucede um ciclo de nove anos liderado por Sérgio Rocha. A transição acontece com um discurso que combina continuidade institucional e resposta a distorções que impactam diretamente a cadeia de dispositivos médicos.
Continuidade sob pressão
Ao assumir, Ronaldo Sampaio posicionou de forma direta os principais pontos de atenção do setor: retenções de faturamento, glosas e inadimplência. Ao tratar esses fatores como distorções estruturais, o novo presidente sinaliza que a agenda da entidade tende a se concentrar na defesa de condições operacionais mais previsíveis para importadores e distribuidores.
A leitura indica uma mudança de ênfase. Se a gestão anterior consolidou presença institucional e ampliou a atuação técnica da associação, o novo ciclo começa sob pressão do fluxo financeiro e da sustentabilidade das operações.
Legado
A saída de Sérgio Rocha encerra um período de fortalecimento organizacional da ABRAIDI. Segundo o diretor executivo Davi Uemoto, a gestão foi marcada pela reestruturação da sede, ampliação da equipe executiva e consolidação de uma rede de consultores especializados em dispositivos médicos.
A entidade expandiu sua atuação por meio de iniciativas como o Congresso Brasileiro de Tecnologia Médica, o Seminário Internacional com a Anvisa e a presença reforçada na feira Hospitalar. Também avançou em articulações fora do país, com participação em coalizões na América Latina e em outros mercados.
Segundo a associação, esse movimento ampliou sua capacidade de interlocução, especialmente em pautas regulatórias e tributárias, como o Convênio 01/99, citado como uma das frentes estratégicas recentes.
Articulação nacional
A nova composição do Conselho reforça a distribuição geográfica da entidade. A eleição de Ronaldo Sampaio, com base na Bahia, e de Guilherme Laurindo de Andrade, com atuação em São Paulo, substituindo uma liderança do Rio Grande do Sul, reposiciona a representatividade regional dentro da ABRAIDI.
O processo eleitoral, conduzido pelo assessor jurídico Alexandre Nemer, também definiu conselheiros, integrantes do Conselho Fiscal e membros da Comissão de Ética, ampliando a estrutura de governança para o próximo ciclo.
Agenda institucional
A sinalização do novo presidente sobre a necessidade de fortalecer a voz do setor aponta para um ambiente em que a articulação institucional tende a ganhar ainda mais relevância. A continuidade do trabalho em Brasília e nos estados, já destacada pela gestão anterior, aparece como elemento central para enfrentar entraves que afetam diretamente o acesso a dispositivos e a dinâmica de financiamento da cadeia.
A transição na ABRAIDI, portanto, não se limita a uma mudança de nomes. Ela ocorre em um momento em que governança associativa, pressão de custos e acesso à tecnologia convergem, exigindo reposicionamento estratégico em um setor cada vez mais sensível a decisões regulatórias e financeiras.














