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Dois anos da Tabela SUS Paulista: financiamento amplia cirurgias

A Tabela SUS Paulista consolidou-se como um dos principais instrumentos de financiamento da rede pública de saúde no estado de São Paulo. Criado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o programa já destinou cerca de R$ 9 bilhões para complementar os valores pagos pela tabela nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).

Há dois anos, a iniciativa foi estruturada para enfrentar uma defasagem histórica nos repasses federais, ampliando a remuneração de procedimentos hospitalares e ambulatoriais realizados pela rede conveniada ao SUS. Na prática, o mecanismo fortalece financeiramente hospitais filantrópicos e Santas Casas, responsáveis por aproximadamente 50% dos atendimentos do SUS no estado.

Para Eleuses Paiva, secretário de Saúde do estado de São Paulo, os resultados indicam que o modelo já produz impacto direto na capacidade assistencial da rede.

“A Tabela SUS Paulista garantiu sustentabilidade aos hospitais e permitiu a abertura e reativação de mais de 8 mil leitos em todo o estado. Esse investimento histórico também contribuiu para alcançarmos recordes na realização de cirurgias eletivas, ampliando o acesso e reduzindo filas”, afirma.

Recorde de cirurgias eletivas

O fortalecimento financeiro das instituições se refletiu diretamente na produção assistencial. Em 2025, o estado registrou 1,3 milhão de cirurgias eletivas realizadas na rede do SUS paulista, o maior volume já registrado.

O número representa crescimento de 85,7% em relação a 2022, quando cerca de 700 mil procedimentos foram realizados. Considerando os três anos da atual gestão estadual, o total chega a 3,5 milhões de cirurgias.

A evolução anual demonstra a ampliação gradual da capacidade da rede:

  • 2023: 1 milhão de cirurgias
  • 2024: 1,2 milhão
  • 2025: 1,3 milhão

O avanço está associado ao aumento da oferta de serviços hospitalares e ao modelo de financiamento que passou a complementar os valores pagos pela tabela nacional.

Procedimentos de alta complexidade

Além das cirurgias eletivas, indicadores assistenciais mostram crescimento em diferentes áreas da alta complexidade. Entre 2022 e 2025, destacam-se:

  • Internações de alta complexidade: aumento de 37,9%
  • Cirurgias bucomaxilofaciais: crescimento de 116%
  • Cirurgias neurológicas: expansão de 60%
  • Cirurgias de mama: aumento de 30%
  • Cirurgias oncológicas: crescimento de 43%

Para o secretário Eleuses Paiva, os números indicam que a política pública superou a fase inicial de implementação e passou a atuar como elemento estruturante do sistema estadual de saúde.

“Esse crescimento consistente mostra que a Tabela SUS Paulista se consolidou como uma política estruturante para a saúde pública no estado de São Paulo”, ressalta.

Sustentabilidade para hospitais filantrópicos

A lógica do programa parte de um diagnóstico recorrente no sistema hospitalar brasileiro: a insuficiência histórica da tabela federal do SUS para custear integralmente procedimentos hospitalares.

Ao complementar esses valores, o estado ampliou a previsibilidade financeira de instituições filantrópicas, permitindo:

  • expansão da capacidade assistencial
  • aumento do número de internações e cirurgias
  • redução de filas em diferentes regiões do estado

Esse movimento reforça o papel estratégico das instituições filantrópicas dentro da rede pública de saúde, especialmente em um estado onde parte significativa da assistência hospitalar depende dessas organizações.

Impacto na experiência do paciente

O efeito do programa também aparece na jornada assistencial de pacientes atendidos pela rede pública. É o caso de James Cesar dos Santos Ribeiro, de 53 anos, morador de Rancharia, que precisou realizar nova cirurgia após a recorrência de uma hérnia inguinal.

Ele foi atendido no Hospital e Maternidade de Rancharia, unidade que integra a rede contemplada pela Tabela SUS Paulista e que recebeu R$ 15,5 milhões em repasses ao longo dos dois anos de programa.

“Por conta das dores, a minha rotina estava parada. Não podia fazer academia ou corrida, atividades que eu gosto muito. Além disso, afetava os trabalhos que eu precisava fazer, já que não podia agachar. Eu vivia bem restrito”, relatou.

A cirurgia foi realizada com técnica que utiliza tela cirúrgica, reduzindo as chances de nova reincidência. O paciente também destacou a rapidez do atendimento.

“Eu não esperava, foi muito rápido mesmo. Eu estava com muita dor e, em questão de uma ou duas semanas, minha cirurgia foi marcada”.

Após a recuperação, ele afirma ter retomado a rotina normalmente. “A cirurgia mudou a forma como eu vivia. Hoje eu já estou recuperado, levo uma vida normal. Faço as minhas corridas e os meus exercícios”.

Transparência

Para conferir os valores repassados, detalhados por instituição filantrópica e outros dados, clique aqui.

O modelo paulista se insere em um debate mais amplo sobre sustentabilidade financeira da rede SUS. Ao complementar a tabela federal, o estado criou um mecanismo próprio de financiamento que busca equilibrar produção assistencial, previsibilidade econômica e ampliação do acesso.

Esse reforço no investimento demonstra ao sistema de saúde brasileiro uma das alternativas que visa garantir que hospitais que sustentam grande parte da assistência pública tenham condições financeiras de continuar operando e expandindo sua capacidade.

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