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Edison Ferreira defende comunicação estratégica do setor filantrópico

Eleito entre os 100 Mais Influentes da Saúde de 2025, Edison Ferreira da Silva, presidente do SINDHOSFIL/SP, defende uma participação estratégica do setor filantrópico na Saúde

 

Eleito entre os 100 Mais Influentes da Saúde de 2025, Edison Ferreira da Silva, presidente do Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (SINDHOSFIL/SP), guiou o Sindicato, neste último ano, de forma constante para evitar legislações e demandas trabalhistas desconectadas da realidade dos hospitais, especialmente no contexto de aumento real de salários. 

“Defendemos que a valorização dos profissionais deve caminhar com a sustentabilidade das instituições. O foco tem sido fortalecer o diálogo com o governo e assegurar uma convivência equilibrada entre direitos trabalhistas e a sobrevivência dos empregadores que mantêm serviços essenciais do início ao fim da vida do cidadão”, afirma Edison para a Gestão Primme. 

Na entrevista a seguir, o presidente fala ainda sobre a necessidade de evoluir a comunicação reativa do setor para uma comunicação estratégica, transparente, didática e focada em impacto social. “O setor filantrópico é protagonista do SUS e precisa ser percebido como tal reforçando valor, inovação e credibilidade.”

 

1) – Qual é hoje a principal bandeira defendida pelo SINDHOSFIL e como a Entidade tem atuado para solucionar esse desafio?

Nossa prioridade é garantir condições sustentáveis para a folha de pagamento que representa a maior despesa das instituições de saúde. Atuamos com firmeza e equilíbrio nas negociações coletivas, dialogando anualmente com mais de 50 sindicatos profissionais em 434 cidades, sempre com o propósito de minimizar impactos e preservar a operação das unidades filantrópicas.

2) – Quais avanços recentes o SINDHOSFIL conseguiu junto ao governo estadual/federal que impactaram a sustentabilidade das Instituições?

Temos atuado de forma constante para evitar legislações e demandas trabalhistas desconectadas da realidade dos hospitais, especialmente no contexto de aumento real de salários. Defendemos que a valorização dos profissionais deve caminhar com a sustentabilidade das instituições. O foco tem sido fortalecer o diálogo com o governo e assegurar uma convivência equilibrada entre direitos trabalhistas e a sobrevivência dos empregadores que mantêm serviços essenciais do início ao fim da vida do cidadão.

3) – Como o SINDHOSFIL apoia seus associados em governança, compliance e transparência?

Nossa atuação envolve capacitação e disseminação de boas práticas de gestão; assessoria técnica e jurídica especializada; representação institucional junto ao poder público e entidades do setor e a promoção de networking e troca de experiências entre gestores. Refletimos, porém, que governança e compliance dependem de compromisso contínuo de cada instituição. O Sindicato orienta, mas não substitui a gestão interna.

4) – O que ainda precisa ser feito em comunicação e posicionamento institucional do setor filantrópico?

O maior desafio é combater mitos e estigmas que ainda persistem, como a ideia de que o filantrópico vive de privilégios ou é menos eficiente. Precisamos evoluir de uma comunicação reativa para uma comunicação estratégica, transparente, didática e focada em impacto social. O setor filantrópico é protagonista do SUS e precisa ser percebido como tal reforçando valor, inovação e credibilidade.

5) – Quais iniciativas o SINDHOSFIL considera essenciais para preparar os hospitais para a transformação digital?

A transformação digital é inevitável e decisiva para o futuro da assistência. O SINDHOSFIL tem apoiado a adoção de tecnologia por meio de parcerias estratégicas com empresas do setor, difusão de soluções digitais aplicáveis à realidade filantrópica e incentivo à modernização da gestão e qualificação de equipes. Estamos comprometidos em ajudar as instituições a evoluir no ritmo das mudanças tecnológicas.

6) O SINDHOSFIL passou a integrar a FESAÚDE. O que podemos esperar com isso?

Passamos ainda a integrar a FESAÚDE e atuamos na nova Câmara de Assuntos de Instituições Filantrópicas, que trabalhará temas como captação de recursos, parcerias público-privadas e competitividade das Santas Casas e hospitais sem fins lucrativos.

7) – Como o SINDHOSFIL avalia o impacto do piso da enfermagem sobre a sustentabilidade dos hospitais filantrópicos?

O piso representa importante reconhecimento aos profissionais, porém a ausência de solução definitiva sobre o financiamento e os encargos adicionais pressiona severamente os hospitais. O julgamento no STF ainda não foi concluído, gerando insegurança jurídica. Enquanto isso, orientamos as instituições quanto ao cumprimento legal, ao mesmo tempo em que seguimos defendendo condições viáveis para implantação, sem risco à continuidade assistencial.

8) – Como o SINDHOSFIL apoia os hospitais no cumprimento da legislação de cotas para PCD (Pessoa com Deficiência)?

O SINDHOSFIL tem atuado junto ao Ministério do Trabalho para demonstrar a dificuldade prática de cumprimento da norma, especialmente em áreas técnicas, como enfermagem, que representam mais de 60% da força de trabalho e têm baixa disponibilidade de profissionais com deficiência. Defendemos ajustes e transições viáveis, evitando penalidades e fortalecendo a inclusão responsável.

9) – Diante da escassez de profissionais qualificados, o que o SINDHOSFIL tem feito em capacitação?

Estamos comprometidos com o desenvolvimento da força de trabalho, por meio de eventos técnicos e encontros regionais. Fornecemos também uma plataforma EAD com mais de 35 cursos disponíveis e buscamos ampliar parcerias para qualificação contínua. Nosso objetivo é reduzir os gaps de formação e preparar as equipes para novas demandas do setor.

10) – Quais são as prioridades do SINDHOSFIL para os próximos dois anos?

Seguiremos fortalecendo a defesa trabalhista e assessoria nas áreas de RH e Segurança do Trabalho, a sustentabilidade das entidades e manutenção de empregos e a participação estratégica no debate do setor filantrópico.

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