O mercado brasileiro de hospitais e laboratórios de análises clínicas registrou uma retomada relevante das operações de fusões e aquisições (M&A) em 2025. Segundo levantamento trimestral da KPMG, o setor contabilizou 22 transações entre janeiro e setembro, alta de 37% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram concluídos 16 negócios.
O estudo, que acompanha movimentações em 43 setores da economia, indica que a consolidação segue como uma das principais estratégias de crescimento no ecossistema de saúde, impulsionada por ganhos de escala, eficiência operacional e necessidade de integração de serviços assistenciais e diagnósticos.
Do total de operações no período, cinco envolveram fundos de private equity e venture capital, evidenciando o interesse contínuo do capital financeiro por ativos ligados à saúde, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.
Predominância de transações domésticas
A análise da KPMG mostra que a maior parte das operações realizadas no setor foi de natureza doméstica. Das 22 transações registradas nos nove meses de 2025:
- 15 ocorreram entre empresas brasileiras;
- 4 envolveram grupos estrangeiros adquirindo participação em companhias estabelecidas no Brasil (CB1);
- 2 foram operações em que empresas brasileiras adquiriram capital de companhias no exterior (CB2);
- 1 foi realizada por empresa de capital majoritariamente estrangeiro adquirindo participação de outra empresa estrangeira com operação no país (CB4).
Em comparação, no mesmo período de 2024, haviam sido registradas 11 operações domésticas, além de cinco transações transfronteiriças, totalizando 16 negócios.
Para Marcos Laredo, sócio-líder de Healthcare & Life Sciences da KPMG no Brasil, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor.
“O jogo já mudou faz tempo: velocidade e escala definem quem vai liderar. O ecossistema da saúde está em ritmo acelerado e o foco em integração e inovação já são a regra. Quem não acompanhar, ficará para trás”, afirma.
O avanço das operações ocorre em um momento de forte pressão sobre margens, custos assistenciais elevados e necessidade de investimentos em tecnologia, digitalização e modelos integrados de cuidado.
Terceiro trimestre impulsiona o mercado brasileiro
No panorama geral da economia, o terceiro trimestre de 2025 apresentou o melhor desempenho do ano em fusões e aquisições no Brasil. De acordo com a KPMG, foram concluídas 425 operações no período — sendo 203 envolvendo fundos de private equity e venture capital.
O volume superou os dois trimestres anteriores, que registraram 330 transações no primeiro trimestre e 409 no segundo.
No acumulado de janeiro a setembro, o país contabilizou 1.164 operações de M&A, número 2,6% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2024, quando houve 1.196 transações — um indicativo de estabilidade do mercado, apesar das condições macroeconômicas restritivas.
Participação de fundos
Embora o número total de operações tenha se mantido praticamente estável, a participação de fundos de investimento aumentou de forma significativa.
Nos nove meses de 2025, foram 566 operações envolvendo private equity e venture capital, equivalentes a 48,6% do total. No mesmo período de 2024, haviam sido 497 transações, ou 41,6% do mercado, representando um crescimento superior a 13%.
Segundo Paulo Guilherme Coimbra, sócio da KPMG, o comportamento reflete um ambiente de cautela, mas também de oportunidades seletivas.
“A queda no número de fusões foi pequena e podemos considerar um cenário estável. Isso se deve ao contexto macroeconômico brasileiro que não está favorável, principalmente relacionado à parte fiscal, assim como às taxas de juros brasileiras e mundiais”, analisa.
De acordo com o executivo, apesar da ausência de uma retomada mais forte em volume, o ticket médio por transação vem crescendo, indicando operações mais estruturadas e estratégicas.
“Por outro lado, aumentou a participação de fundos de investimentos no total de operações concretizadas”, completa.















