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Investimento no Butantan fortalece vacinação contra a dengue

O início da imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde com a vacina Butantan-DV marca um novo capítulo da política pública de enfrentamento à dengue no Brasil. Produzido integralmente no país pelo Instituto Butantan, o imunizante é o primeiro do mundo de dose única contra a doença e inaugura uma estratégia que combina ampliação da cobertura vacinal, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e estímulo ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

Desde o dia 9 de fevereiro, mais de 1 milhão de profissionais de saúde que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) passaram a ter acesso à vacina. A iniciativa antecipa a estratégia nacional de imunização da população em geral, que será implementada gradualmente conforme a disponibilidade de doses. A previsão é iniciar pelos brasileiros de 59 anos, avançando progressivamente até a faixa de 15 anos, à medida que a produção seja ampliada por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines.

O desenvolvimento da Butantan-DV contou com apoio financeiro de R$ 97,2 milhões do BNDES e está alinhado às diretrizes da Missão 2 da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. A produção nacional de vacinas e dispositivos médicos é tratada como eixo estratégico para reduzir vulnerabilidades, ampliar a autonomia sanitária e garantir resposta mais rápida a emergências de saúde pública.

O lançamento da vacinação ocorreu durante evento no Instituto Butantan, em São Paulo, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na ocasião, Alckmin destacou o papel estruturante da política industrial associada à saúde: “Hoje o presidente começou no Instituto Butantan. E aí é fortalecer a indústria da saúde. Vacinas, equipamentos, como aqui nós vimos, tomógrafos, ressonância, indústria da saúde, que é uma indústria que vai crescer muito”.

No mesmo evento, o governo federal anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão, por meio do Novo PAC Saúde, para a construção de duas novas fábricas e a modernização de outras duas unidades do Instituto Butantan. O objetivo é ampliar a capacidade produtiva de vacinas, soros e insumos biológicos estratégicos, incluindo tecnologias avançadas como RNA mensageiro (RNAm), além da produção nacional de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).

As novas plantas industriais permitirão produzir até 6 milhões de doses anuais da vacina DTPa e 20 milhões de doses da vacina contra o HPV, além de expandir significativamente a fabricação de soros. A iniciativa busca assegurar maior previsibilidade ao SUS e reduzir a dependência externa em áreas consideradas críticas para a segurança sanitária.

À tarde, a agenda presidencial seguiu para Mauá (SP), onde foram anunciados investimentos estruturantes em saúde e educação. Segundo Alckmin, as ações fazem parte de uma estratégia integrada de desenvolvimento: “O presidente Lula está dando um forte impulso à indústria química, petroquímica, automotiva e de autopeças, com programas como o carro sustentável e a renovação da frota de caminhões. Desenvolvimento econômico e política social caminham juntos. O mais importante é a vida, mas ela anda junto com emprego, renda e uma indústria forte”.

Combinando vacinação, capacidade produtiva e política industrial, o investimento nacional contra a dengue sinaliza um movimento mais amplo: tratar a saúde não apenas como política social, mas como vetor estratégico de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.

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