Entraram em vigor neste mês os novos padrões de sustentabilidade da Joint Commission International (JCI), incorporados à 8ª edição do Manual para Acreditação de Hospitais. O capítulo Impacto na Saúde Global (GHI) passa a integrar oficialmente o processo de avaliação das instituições, introduzindo critérios voltados à sustentabilidade ambiental, gestão de riscos climáticos e resiliência operacional dos hospitais.
A mudança reflete uma agenda global cada vez mais conectada à segurança do paciente. “Os inúmeros eventos climáticos observados no mundo levaram a JCI a introduzir esses novos padrões, uma vez que o aquecimento global também impacta diretamente as instituições de saúde e, por consequência, a segurança do paciente”, explica Heleno Costa Junior, superintendente do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), representante exclusivo da JCI no Brasil.
Entre os novos requisitos estão práticas para redução de emissões de gases de efeito estufa, qualidade do ar, gestão de resíduos, continuidade da segurança da informação em cenários de indisponibilidade energética e planos estruturados para emergências, como incêndios e evacuação de pacientes.
Hcor inaugura avaliação com novo manual
O Hcor foi o primeiro hospital no Brasil a ser avaliado com base nos novos capítulos de Impacto na Saúde Global (GHI) e Tecnologia de Saúde (HCT). Segundo Heleno, embora os padrões de sustentabilidade só tenham passado a valer oficialmente neste ano, a instituição já demonstrava maturidade nos requisitos. “A própria JCI reconheceu que os padrões eram densos e estabeleceu sua vigência a partir de agora. Ainda assim, o Hcor cumpriu muito bem as exigências do GHI”, afirma.
Além do novo capítulo de sustentabilidade, o manual também fortalece a governança tecnológica, ampliando o olhar sobre segurança da informação, telessaúde e uso de inteligência artificial em ambientes assistenciais.
Para Vera Lucia Borrasca, gerente executiva de Qualidade e Segurança do Hcor, o novo manual promoveu uma integração mais profunda entre os capítulos da acreditação. “Ele trouxe uma lógica de programa de qualidade e segurança que precisa permear toda a instituição”, afirma. Segundo ela, o processo reforçou o papel das lideranças e das áreas operacionais, estendendo a responsabilidade pela qualidade para além das equipes especializadas.
A executiva também destaca o papel do CBA no processo de adaptação. “A consultoria foi fundamental na retomada dos processos após a pandemia, com treinamentos sobre o novo manual, visitas de simulação e suporte contínuo”, ressalta.
Sustentabilidade, tecnologia e dados
Do ponto de vista operacional, o hospital estruturou ações contínuas de monitoramento e engajamento. Segundo Daniella Vianna Correa Krokoscz, especialista da área de Qualidade, foram implantadas reuniões mensais de acompanhamento dos padrões, oficinas de capacitação para lideranças, auditorias assistenciais e administrativas e sistemas de pontuação contínua. “O monitoramento diário é essencial para manter a conformidade”, afirma.
Na frente de sustentabilidade, iniciativas como a evolução de uma usina própria de energia, contratos de abastecimento de água e o mapeamento de fornecedores passaram a ser gerenciadas sob os critérios do GHI. Já na segurança da informação, o Hcor revisou políticas, estruturou diretrizes para telessaúde, monitorou o uso de IA e fortaleceu a governança de dados por meio de um DPO e comitê de privacidade.
Mudança no modelo de avaliação
Outra alteração relevante trazida pelo novo manual foi a eliminação da categoria “parcialmente conforme”. A partir de agora, as instituições são classificadas apenas como conformes ou não conformes, sendo necessário cumprir ao menos 90% dos padrões para obter a acreditação. “Ou a instituição é acreditada ou não é”, resume Heleno.
Para Vera, o novo modelo funcionou como um estímulo adicional. “A acreditação segue sendo um impulsionador de melhorias contínuas em qualidade e segurança”, afirma.
Transparência e experiência humana
Entre os resultados do processo, o Hcor destaca a consolidação do Escritório de Experiência Humana, com foco também na experiência dos colaboradores, e a publicação do Mapa de Valor, que reúne indicadores assistenciais, desempenho clínico e narrativas que traduzem o impacto do cuidado. “Essa transparência reforça nosso compromisso com a qualidade”, afirma Vera.
O trabalho culminou na reacreditação do hospital no último ano. “Nossa primeira acreditação JCI foi em 2006. O novo manual evidencia um amadurecimento institucional que conecta sustentabilidade, governança, tecnologia e segurança do paciente de forma definitiva”, conclui a executiva.














