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Saúde em 2026: infraestrutura como eixo crítico do sistema

Infraestrutura hospitalar entra em 2026 pressionada por edificações heterogêneas, avanços tecnológicos acelerados e falhas de planejamento, exigindo visão de longo prazo, gestão profissional e investimentos estruturais para garantir segurança, eficiência e sustentabilidade na saúde.

Ao observar o cenário da saúde brasileira rumo a 2026, a infraestrutura hospitalar surge como um dos pilares mais sensíveis e estratégicos para a sustentabilidade do sistema. Em um país que reúne cerca de 6.800 unidades hospitalares com realidades extremamente diversas, de edificações centenárias a estruturas recém-construídas, os desafios vão muito além da simples modernização física.

Segundo o professor Alexandre Henrique Hermini, assessor de Equipamentos Hospitalares da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e docente de pós-graduação do Hospital Israelita Albert Einstein, a heterogeneidade das edificações impõe obstáculos técnicos complexos às engenharias hospitalares. Sistemas essenciais, como tratamento do ar interno, transporte vertical e horizontal de materiais, redes de dados e automação, frequentemente operam sobre bases estruturais que não foram projetadas para suportar as demandas atuais.

Nesse contexto, a energia elétrica desponta como um insumo vital e, muitas vezes, negligenciado. Redes elétricas defasadas, com cabos, disjuntores e eletrodutos inadequados, comprometem não apenas a operação de equipamentos, mas a segurança assistencial. A esse cenário somam-se problemas recorrentes como infiltrações, especialmente em períodos de chuvas, e falhas no atendimento às exigências de prevenção e combate a incêndios.

Envelhecimento populacional e complexidade assistencial

O avanço da longevidade da população brasileira adiciona uma camada extra de complexidade ao planejamento da infraestrutura hospitalar. Para Hermini, esse desafio precisa ser analisado sob duas perspectivas: o envelhecimento em si e o aumento da complexidade tecnológica da assistência.

No que se refere ao envelhecimento, o principal entrave não está necessariamente na infraestrutura física, mas na disponibilidade de recursos humanos e materiais para atender à crescente demanda. Ainda assim, determinados ambientes hospitalares exigem revisão profunda. Prontos-socorros, enfermarias, UTIs e centros cirúrgicos precisam ser repensados para garantir acessibilidade, conforto, permanência de acompanhantes e tempos de internação mais longos, realidade cada vez mais frequente entre pacientes idosos.

Já no campo da complexidade assistencial, o desafio recai sobre a capacidade das edificações de absorver novas tecnologias. Muitos hospitais não previram, em seus projetos originais, margens de expansão para equipamentos de alta complexidade, o que resulta em adaptações improvisadas e custosas. A ausência de planejamento prévio de infraestrutura antes da aquisição tecnológica ainda é uma fragilidade recorrente no país.

Planejamento: entre a visão estratégica e o “apagar incêndios”

O planejamento da infraestrutura em saúde no Brasil evoluiu, mas de forma desigual. Hermini destaca que convivemos com extremos: instituições altamente informatizadas, que utilizam inteligência artificial e sistemas integrados de gestão, e outras que ainda operam com processos manuais e registros em papel.

Professor Alexandre Henrique Hermini, assessor de Equipamentos Hospitalares da State University of Campinas (Unicamp) e docente de pós-graduação do Hospital Israelita Albert Einstein

A tecnologia, porém, não é solução isolada. Sem processos bem definidos e cultura gerencial estruturada, ferramentas sofisticadas tendem ao fracasso. O resultado é a perpetuação de um modelo reativo, marcado por decisões emergenciais, como a compra de equipamentos sem definição prévia de local de instalação ou adequação estrutural, que gera desperdício, atrasos e até perda de garantias.

Para o especialista, a diferença entre instituições resilientes e aquelas em constante crise está na existência de processos sólidos, independentes de pessoas específicas, e no alinhamento entre estratégia, engenharia clínica, projetos e gestão.

Digitalização, eficiência e sustentabilidade

A digitalização da saúde é irreversível. Telemedicina, automação, interoperabilidade e integração de sistemas já fazem parte do presente e se consolidarão até 2026. Contudo, Hermini alerta que a adoção dessas tecnologias exige mais do que infraestrutura de dados: demanda planejamento financeiro rigoroso, considerando tanto os investimentos iniciais (CAPEX) quanto os custos operacionais ao longo da vida útil (OPEX).

A eficiência operacional e a sustentabilidade financeira também passam, inevitavelmente, pela infraestrutura. Sistemas de climatização respondem pela maior fatia do consumo energético hospitalar, seguidos por iluminação e aquecimento de água. Soluções como motores com acionamento inverter, iluminação LED, aquecimento solar ou a gás, além do aproveitamento da luz natural, podem gerar economias significativas e maior resiliência financeira.

No campo hídrico, projetos de captação e reuso de água contribuem não apenas para redução de custos, mas também para a agenda ambiental e a reputação institucional.

Segurança do paciente e modelos de investimento

A falta de padronização e a manutenção inadequada de equipamentos seguem como riscos relevantes para a qualidade assistencial. A padronização reduz custos, simplifica contratos de manutenção e minimiza erros operacionais. Já falhas técnicas podem ter consequências graves, desde diagnósticos equivocados até riscos diretos à vida do paciente.

Quanto aos modelos de investimento, parcerias público-privadas podem acelerar a modernização da infraestrutura, desde que sustentadas por contratos claros, metas exequíveis, cronogramas detalhados e mecanismos robustos de fiscalização.

Prioridades para 2026

Na visão de Alexandre Hermini, três pontos devem estar no centro da agenda dos gestores de saúde rumo a 2026: o planejamento das incorporações tecnológicas com adequação prévia da infraestrutura; o mapeamento e modernização das instalações elétricas; e a revisão dos sistemas de tratamento do ar. Embora cada instituição tenha suas particularidades, esses temas têm se mostrado críticos na maioria dos hospitais brasileiros.

Mais do que construir ou reformar, o desafio da infraestrutura em saúde para 2026 será planejar com inteligência, gerir com método e investir com visão de longo prazo, condições essenciais para garantir segurança, eficiência e qualidade assistencial em um sistema cada vez mais complexo.

Welcome Saúde 2026

As decisões que vão definir a sustentabilidade, a capacidade de resposta e a competitividade da saúde brasileira em 2026 passam, inevitavelmente, pela infraestrutura do sistema.

Essa agenda ganha profundidade no Welcome Saúde 2026, encontro que reúne lideranças, gestores públicos, indústria e especialistas para aprofundar os debates sobre infraestrutura, financiamento, inovação e governança, transformando diagnóstico em direcionamento estratégico.

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