O Ministério da Saúde deu um passo significativo na ampliação das opções terapêuticas para o câncer de mama ao incorporar ao SUS o Trastuzumabe Entansina, medicamento de última geração indicado para pacientes com o subtipo HER2-positivo, uma das formas mais agressivas da doença.
A chegada dos primeiros lotes ao país marca um avanço importante na oferta de terapias mais eficazes e alinhadas às práticas internacionais.
O lote inicial inclui 11.978 frascos-ampola, divididos entre apresentações de 100 mg e 160 mg. Esse volume integra um planejamento que prevê quatro entregas ao longo dos próximos meses, suficiente para atender toda a demanda estimada pelo Ministério da Saúde.
A previsão é beneficiar mais de mil pacientes que necessitam de uma alternativa terapêutica após a quimioterapia inicial.
O Trastuzumabe Entansina é recomendado para mulheres que, mesmo após o tratamento padrão, ainda apresentam sinais de atividade tumoral.
Estudos apontam que o uso da terapia pode reduzir em até 50% o risco de agravamento ou morte entre pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio III, tornando-se um recurso crucial especialmente nos casos de maior complexidade.
Além da incorporação, o governo negociou uma redução expressiva no custo da aquisição. Os valores por frasco foram praticamente reduzidos pela metade, o que resultará em uma economia superior a R$ 160 milhões em relação ao preço inicialmente estimado.
O investimento total programado é de aproximadamente R$ 159 milhões para a compra de mais de 34 mil unidades.
A distribuição aos serviços de saúde seguirá diretrizes técnicas e critérios clínicos estabelecidos em protocolos nacionais.
O Ministério da Saúde também deve publicar uma portaria que permitirá aos estados e municípios realizar a compra direta do medicamento com recursos federais, o que pode agilizar a chegada do tratamento às pacientes de diferentes regiões.
A iniciativa se soma a outras ações recentes voltadas ao enfrentamento do câncer de mama no SUS, como a ampliação do acesso à mamografia a partir dos 40 anos e a implantação de unidades móveis para rastreamento em áreas de menor cobertura.
Essas medidas reforçam uma estratégia de cuidado integral que vai do diagnóstico precoce ao tratamento especializado.
Se a operacionalização ocorrer como planejado, a adoção do Trastuzumabe Entansina tem potencial para transformar o cenário terapêutico da rede pública, aproximando o SUS de padrões internacionais e garantindo maior equidade no acesso a terapias inovadoras.
O impacto real será observado nos próximos meses, à medida que os pacientes começarem a receber o novo tratamento e as unidades de saúde se adaptarem à incorporação da tecnologia.















