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Pesquisa inédita revela que problemas financeiros podem estar por trás da maioria dos casos de adoecimento mental no Brasil

Uma pesquisa nacional inédita, ainda não divulgada, acaba de trazer um novo olhar para um dos maiores desafios da atualidade: a saúde mental dos brasileiros

Realizado pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, o estudo ouviu 1.000 pessoas de todas as regiões do país que possuem diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. O levantamento utilizou uma metodologia diferenciada, baseada em entrevistas presenciais em profundidade conduzidas por psicólogos especializados, com o objetivo de compreender os fatores que contribuíram para o desenvolvimento desses transtornos.

Os resultados revelam um cenário alarmante: para quase 60% dos entrevistados, os problemas financeiros foram a causa exclusiva ou predominante do adoecimento mental. Mais do que um fator secundário, as dificuldades financeiras aparecem como o principal gatilho identificado pelos participantes, superando questões relacionadas ao trabalho, relacionamentos, doenças e até situações de luto.
Entre os principais resultados:

  • 34,6% apontam as dificuldades financeiras como o principal gatilho para o surgimento do transtorno mental;
  • 27,1% afirmam que os problemas financeiros foram a causa raiz do adoecimento;
  • 32,4% relatam que as finanças foram a principal causa entre diversos fatores que contribuíram para o quadro;
  • Somados, quase 60% dos entrevistados atribuem seu adoecimento mental predominantemente aos problemas financeiros;
  • Apenas 7,9% afirmam que as finanças não tiveram qualquer participação no desenvolvimento do transtorno;
  • 69,4% enfrentam dificuldades para pagar contas básicas;
  • 61,2% convivem com dívidas;
  • 53,6% relatam renda insuficiente para atender às necessidades do dia a dia;
  • 31,1% apontam o desemprego como um dos principais desafios financeiros enfrentados atualmente.

A pesquisa também mostra que o impacto vai muito além do orçamento doméstico.

As preocupações financeiras afetam diretamente aspectos essenciais da vida dos entrevistados:

  • 64,9% afirmam que o lazer foi prejudicado;
  • 61,9% relatam impactos no humor;
  • 60,1% registram prejuízos nas relações familiares;
  • 56,1% sofreram alterações na qualidade do sono;
  • 42,8% apontam queda no desempenho profissional;
  • 39,8% relatam prejuízos nas amizades e relações sociais.

Outro dado relevante é que a questão financeira não afeta apenas as camadas mais vulneráveis da população. O estudo identificou que pessoas de maior renda também sofrem forte pressão emocional relacionada ao dinheiro.
Entre os entrevistados da Classe A, 49,1% apontaram as dificuldades financeiras como o principal gatilho para o adoecimento mental, percentual superior ao observado entre participantes das classes C e D. O resultado sugere que fatores como manutenção do padrão de vida, patrimônio e status social também geram elevados níveis de estresse e sofrimento emocional.
O levantamento traz ainda recortes importantes por faixa etária e região.

Entre os jovens de 18 a 30 anos, a ansiedade alcança 52,3%, o maior índice registrado na pesquisa. Já entre pessoas acima de 60 anos, a depressão atinge seu pico, chegando a 42,1%.
Regionalmente, Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de ansiedade, enquanto o Sudeste concentra a maior incidência de síndrome de Burnout. Sul e Centro-Oeste registram os maiores percentuais de entrevistados que apontam os problemas financeiros como causa principal de seus transtornos mentais.
A pesquisa também identificou um contraste preocupante em relação ao futuro: enquanto 35,9% demonstram otimismo quanto à melhora da saúde mental, apenas 20% acreditam que sua situação financeira irá melhorar. Em contrapartida, 67,2% possuem uma visão pessimista ou muito pessimista em relação ao futuro financeiro.
Apesar da forte relação entre dinheiro e saúde mental, quase metade dos entrevistados (48,5%) nunca buscou orientação profissional em educação financeira.
Os resultados levantam uma discussão relevante para o país: até que ponto a crise de saúde mental vivida pelos brasileiros está relacionada ao crescente nível de insegurança financeira, endividamento e dificuldade de planejamento econômico?

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