Cases vencedores do Prêmio Gestão Primme mostram como o Real Hospital Português vem utilizando automação e interoperabilidade para fortalecer eficiência, rastreabilidade e qualidade assistencial
A transformação digital da saúde deixou de estar associada apenas à modernização tecnológica e passou a ocupar um papel estratégico dentro da gestão hospitalar. Em um cenário pressionado por eficiência operacional, segurança assistencial e integração do cuidado, hospitais começam a utilizar tecnologia como ferramenta direta para melhorar desfechos clínicos, reduzir desperdícios e aumentar capacidade operacional.
Foi justamente nesse contexto que o Real Hospital Português se destacou no Prêmio Gestão Primme, sendo reconhecido em duas categorias distintas: Qualidade e Segurança do Paciente e Interoperabilidade e Saúde Conectada.
Os dois projetos premiados possuem objetivos diferentes, mas convergem em um mesmo ponto: utilizar tecnologia para transformar gargalos operacionais em processos mais seguros, integrados e sustentáveis.
Automação para fortalecer a farmacovigilância
No case vencedor na categoria Qualidade e Segurança do Paciente, o hospital enfrentava um desafio recorrente: o monitoramento manual diário do portal da Anvisa para identificação de recalls e alertas de farmacovigilância.
Até então, a equipe farmacêutica dedicava cerca de duas horas por dia à atividade, processo sujeito a falhas humanas e atrasos operacionais que poderiam impactar diretamente a segurança do paciente.
Para solucionar o problema, a instituição desenvolveu internamente, em parceria com a área de Tecnologia da Informação, um agente de RPA (Robotic Process Automation) capaz de monitorar o portal da Anvisa 24 horas por dia, sete dias por semana.
O sistema passou a identificar automaticamente alertas, classificar notificações, cruzar informações com o cadastro interno do hospital e gerar relatórios para ação imediata da equipe farmacêutica.
O impacto operacional foi significativo. O tempo diário de supervisão caiu de duas horas para aproximadamente 30 minutos, liberando cerca de 460 horas anuais de trabalho especializado. Além disso, o projeto gerou economia anual estimada em R$ 21,9 mil, com payback inferior a seis meses.
Mais do que ganho financeiro, o principal resultado ocorreu na segurança assistencial. A aderência entre a sinalização automática do sistema e a ação farmacêutica atingiu 97%, fortalecendo a capacidade de resposta rápida diante de alertas críticos.
O projeto também reforçou rastreabilidade, conformidade regulatória e cultura de segurança, demonstrando como soluções internas e de baixo custo podem gerar impacto relevante dentro de hospitais filantrópicos.
Integração de dados para continuidade do cuidado
Já na categoria Interoperabilidade e Saúde Conectada, o hospital foi reconhecido por um projeto voltado à integração das informações clínicas entre a instituição e a rede pública municipal.
O principal desafio estava na fragmentação dos dados assistenciais dos pacientes oriundos do SUS. Sem acesso ao histórico clínico realizado em outras unidades da rede municipal, o hospital operava apenas com informações registradas em seu próprio prontuário eletrônico.
Essa limitação dificultava a coordenação do cuidado, favorecia repetição de exames, aumentava custos e comprometia o controle da dispensação de medicamentos, inclusive com possibilidade de duplicidade entre hospital e rede pública.
Para enfrentar esse cenário, o Real Hospital Português iniciou o desenvolvimento de uma estratégia de interoperabilidade conectando seus sistemas à Prefeitura do Recife por meio do padrão HL7 FHIR e da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
A iniciativa contempla integração do prontuário eletrônico, padronização dos dados assistenciais, identificação unívoca dos pacientes e criação de fluxos estruturados para compartilhamento de histórico clínico, exames, prescrições e dispensação de medicamentos.
O projeto prevê troca bidirecional de informações clínicas, ampliando rastreabilidade, reduzindo redundâncias e fortalecendo a continuidade assistencial.
Além do impacto clínico, a iniciativa também apresenta forte potencial de sustentabilidade para o setor filantrópico, ao otimizar recursos e reduzir desperdícios decorrentes da falta de integração entre sistemas.
Os dois cases mostram que transformação digital na saúde não se resume à adoção de novas tecnologias, mas à capacidade de utilizar dados, automação e integração para resolver problemas concretos da assistência.
Em um ambiente hospitalar cada vez mais pressionado por produtividade, segurança e eficiência, iniciativas como essas reforçam o papel estratégico da tecnologia como instrumento de sustentabilidade e qualidade do cuidado.














