Para Fernando Carlos da Silva, influência na saúde não se mede apenas pelo cargo ocupado, mas pela capacidade de construir instituições que permaneçam relevantes para pacientes, equipes e comunidades. CEO da Rede Hospitalar Samar, um dos principais grupos de saúde da Região Norte, ele acumula mais de 17 anos de experiência na liderança e no desenvolvimento de unidades de saúde.
Sua trajetória combina atuação assistencial, operacional e financeira: “Entendo o que acontece na beira do leito e o que acontece na planilha”, afirma. Essa visão integrada foi construída em experiências no Brasil e no exterior, incluindo mais de uma década no Hospital Sírio-Libanês, onde atuou em iniciativas de qualificação assistencial, expansão e gestão, e passagem pelo Grupo MAC Hospitals, no México, como diretor das áreas de oncologia, laboratório e imagem em uma rede com mais de 25 hospitais.
Fernando também reúne vivência em acreditações como JCI, Qmentum, Magnet, QOPI e PADI, além da implantação de modelos de saúde baseada em valor. Ainda assim, ao refletir sobre o reconhecimento entre os 100 Mais Influentes da Saúde 2026, ele desloca o protagonismo para as equipes. “Esse reconhecimento não é individual. Ele traduz o trabalho de centenas de pessoas que constroem a saúde todos os dias: médicos, enfermeiros, técnicos, equipes administrativas e de apoio. Eu apenas represento esse coletivo”.
Na Região Norte, onde distâncias, logística, acesso a especialistas e sustentabilidade operacional impõem desafios diários, cada decisão ganha peso ampliado. “Aqui, distâncias são medidas em horas de barco e de estrada, a logística de insumos é mais cara e mais lenta, e a escassez de especialistas é uma realidade”, observa. Nesse sentido, Fernando afirma ter se tornado “um defensor da descentralização da saúde no Brasil”, por entender que talento, tecnologia e qualidade não podem ser privilégio do eixo Sul-Sudeste.
Sua atuação tem como princípios a segurança do paciente, ética e transparência. “Nenhuma meta justifica colocar uma vida em risco […] Instituição de saúde é feita de gente cuidando de gente. Quando a equipe é tratada com dignidade, o cuidado humanizado deixa de ser um programa e vira consequência natural da cultura”.
Ao longo da carreira, os maiores desafios vieram de processos de transformação: reestruturar operações, integrar culturas, conduzir mudanças de sistemas e rever processos. “Hospital não fecha para reforma. Toda mudança acontece com o paciente dentro de casa”, resume. Desses momentos, afirma ter extraído aprendizados sobre
método, escuta e responsabilidade: “As melhores soluções quase sempre vieram de quem
estava na operação, não da sala da diretoria”.
Seu olhar para o futuro se divide em dois legados. O primeiro é institucional: consolidar uma Rede Samar sólida, sustentável e reconhecida pela qualidade, capaz de continuar servindo Rondônia por muitas décadas. O segundo é humano: formar gestores e profissionais que pensem a saúde com técnica e propósito. “Instituições fortes valem mais do que líderes fortes”, afirma.
Para Fernando, o maior reconhecimento virá se, no futuro, novas lideranças da saúde na Amazônia puderem dizer que começaram ou cresceram dentro de suas equipes. “Meu sonho é que fazer saúde de excelência deixe de ser exceção e vire regra”.















