Responsabilidade Social: A influência dos hospitais de referência na Saúde brasileira

No panorama atual da saúde, hospitais renomados não apenas fornecem cuidados médicos de alta qualidade, mas também exercem um papel crucial na liderança e inspiração de outras instituições a adotarem práticas de responsabilidade social. 

Por meio de sua atuação pioneira e compromisso com a comunidade, esses hospitais priorizam tanto a excelência no atendimento quanto os valores fundamentais de diversidade, equidade e inclusão.

responsabilidade social Giovana Kill, superintendente de filantropia do Hospital Sírio-Libanês
Giovana Kill, superintendente de filantropia do Hospital Sírio-Libanês

Em entrevista exclusiva para a Healthcare, Giovana Kill, superintendente de filantropia do Hospital Sírio-Libanês (HSL), fala sobre a importância de investir em responsabilidade e a influência que os hospitais de referência possuem na cultura organizacional mais ampla do setor.

Quanto à evolução da Saúde brasileira em relação à integração do pilar social em suas práticas e políticas, Giovana observa avanços significativos, destacando a telessaúde e a telemedicina como exemplos concretos de prestação de cuidados mais inclusivos e acessíveis.

Para ela, “as lideranças articulam o engajamento dos colaboradores e partes interessadas em iniciativas de filantropia estratégica, sustentabilidade organizacional e impacto social em saúde, impulsionando o progresso em direção ao propósito de prover Vida Plena e Digna”. Confira:

1- Como você enxerga o papel dos hospitais de referência ao servir inspiração para que outras instituições de saúde adorem práticas de responsabilidade social?

É inevitável pensar que os hospitais de referência podem inspirar outras instituições a priorizar a abordagem de temas, como diversidade, equidade de gênero e inclusão no desenvolvimento da força de trabalho e na cultura organizacional. Esse último sendo essencial para fornecer cuidados ideais aos pacientes, alcançar a equidade na saúde e atrair e envolver a força de trabalho do futuro. 

É importante impulsionar o diálogo nacional sobre saúde e explorar soluções baseadas em evidências, com iniciativas inovadoras e parcerias público-privadas. Todas as instituições precisam disseminar resultados e descobertas através de seus especialistas, e participar de painéis de discussão que falam sobre disparidades na saúde, equidade digital e muito mais.

O que diferencia o HSL de muitas organizações de saúde é que as necessidades do paciente realmente vêm em primeiro lugar. Embora muitos centros médicos afirmem oferecer algo similar, o Sírio está estruturado para apoiar esse objetivo. Seu sistema de saúde está organizado para promover o trabalho em equipe e não a hierarquia, bem como a ser guiado pela Filantropia de Impacto em Saúde.

2 – De que formas o setor de saúde está evoluindo em relação à integração do pilar social nas práticas e políticas?

Tenho observado que um dos pontos que mais tem se destacado é a inovação social, integrando ainda mais os segmentos do hospital. Isso tem tornado os cuidados de saúde mais valiosos, inclusivos e acessíveis. 

A integração de dados e análises na gestão de pacientes pode ajudar os prestadores de cuidados de saúde a monitorá-los, melhorar os procedimentos operacionais e acompanhar com precisão o tratamento e os custos do tratamento – ainda mais quando pensamos nas possibilidades de interoperabilidade, tais como vêm sendo trabalhadas no Brasil pelo SUS. 

Outro exemplo dessa inovação é a telessaúde, que permite a prestação de cuidados de saúde a comunidades que, de outra forma, poderiam estar sujeitas a barreiras de acesso. 

Outro avanço é o da telemedicina, que no HSL foi implementado no âmbito do PROADI-SUS com uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital. Através da telemedicina, os hospitais conseguem prestar serviços para a saúde indígena, como parte do projeto TeleNordeste, um serviço clínico que oferece monitoramento e diagnóstico remoto, tal como o implementado pelo HSL.

O projeto está sendo desenvolvido para fortalecer o acesso qualificado e oportuno ao atendimento médico especializado dos povos indígenas localizados nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas da Bahia e do Ceará.

3 – Na sua opinião, quais são os principais impulsionadores dessa evolução?

O setor sempre buscou por um futuro com zero erros de medicação e infecções hospitalares e a inovação é o caminho para conquistarmos isso. A adoção de soluções com tecnologia de ponta permite que atendamos as necessidades da população de forma mais eficaz, tornando cíclica a busca pela evolução.

A integração do pilar social também permite que as pessoas consigam se educar melhor acerca da própria saúde, reivindicando o acesso a serviços de qualidade e excelência.

Além disso, a conectividade e convergência têm sido fundamentais, visando oferecer uma gestão populacional coordenada por meio de ferramentas digitais, permitindo acesso aos cuidados de saúde em qualquer lugar e a qualquer momento.

4 – Quais são os principais desafios enfrentados no processo de garantir excelência no atendimento ao mesmo tempo em que foca na responsabilidade social?

No Brasil, o setor de saúde enfrenta o desafio de encontrar maneiras de responder às necessidades de capital em uma época de margens operacionais cada vez menores. É importante refletir sobre avanços, retrocessos e aprendizados, assim como o funcionamento geral do sistema de saúde, mas o maior desafio é conseguir se dedicar aos dois segmentos. 

Em termos de implicações práticas, algumas questões surgem no campo da responsabilidade social e da necessidade social, assim como uma demanda por ajustes e criação de novos modelos que produzam um impacto social significativo em saúde.

No centro de todos os esforços dos sistemas de saúde está a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde, uma mudança que contrataste com o foco costumeiro em cuidados baseados em volume. 

Nesse momento, a parceria público-privada é essencial e partilha de uma série de vantagens, sendo elas: otimização da eficiência financeira e do esforço económico realizado pela administração; mobilização de todos os recursos disponíveis de forma coordenada e subsidiária; confiabilidade da população, que não hesitam em exercer a sua liberdade de escolha. 

5 – Quais são as estratégias adotadas para garantir a sustentabilidade e continuidade das ações de responsabilidade social em longo prazo?

Especificamente no Hospital Sírio-Libanês, as principais estratégias são: o Planejamento Organizacional 2022-2030; a elaboração do Plano Estratégico de Filantropia, em 2024; e a criação do Fundo Patrimonial (Endowment) Sírio-Libanês pelas associadas da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, que tem a missão de contribuir para a perenidade da Instituição.

Além disso, a constante busca por excelência no desempenho e serviço prestado ao cliente; adoção do conceito de Valor em Saúde e a redução das emissões de gases de efeito estufa são medidas importantes. Essas estratégias refletem o compromisso da instituição com a responsabilidade social e a promoção da sustentabilidade em suas operações.

6 – Quais foram as principais ações de sustentabilidade e responsabilidade social realizadas pelo Hospital no último ano?

No último ano, o Hospital realizou diversas ações nesse sentido. Destacam-se o atendimento gratuito a pacientes do SUS; conquistas de reconhecimento como o Selo Pró-Ética; e prêmios como o Prêmio Justiça e Saúde. 

Além disso, demos início a projetos significativos em Diversidade e Inclusão, incluindo a criação de um Protocolo de Atendimento a Pessoas Trans. Essas ações refletem o compromisso contínuo do Hospital com o bem-estar da comunidade e a excelência no cuidado da saúde.

7 – Como você descreveria o papel da liderança na promoção do compromisso social no ambiente hospitalar, em específico no Hospital Sírio-Libanês?

No Hospital Sírio-Libanês, as lideranças desempenham um papel fundamental na promoção do compromisso social e na orientação estratégica da instituição. Elas estabelecem perspectivas de longo prazo, promovem a inovação sistêmica e desenvolvem a força de trabalho com foco na qualidade. 

As lideranças articulam o engajamento dos colaboradores e partes interessadas em iniciativas de filantropia estratégica, sustentabilidade organizacional e impacto social em saúde, impulsionando o progresso em direção ao propósito de prover Vida Plena e Digna.

Através da jornada SER HSL+100, que integra metas e objetivos de ESG, e do planejamento estratégico 2022-2030, baseados nos valores de Solidariedade, Excelência e Resultado, a liderança fortalece o caráter filantrópico da instituição e busca a excelência clínico-assistencial, sempre aliada à sustentabilidade. 

Na cultura organizacional, os líderes devem promover um ambiente de justiça, honestidade e segurança psicológica para impulsionar a capacidade inovadora e gerar valor compartilhado com a sociedade.

8 – De que formas você, atuando como Superintendente de Filantropia do Hospital Sírio-Libanês, colabora com outras áreas da instituição para integrar práticas de responsabilidade social?

Acredito que a colaboração interdepartamental é capaz de tecer uma rede promotora de saúde e abordar indicadores de sustentabilidade social através das suas práticas. Uma rede colaborativa pode auxiliar a olhar os problemas a partir de diferentes perspectivas e encontrar alternativas mais eficientes para resolução de conflitos de interesse, pautados em ética e no prazer do debate em prol dos resultados coletivos.

Algumas estratégias têm auxiliado o ecossistema HSL a promover uma cultura de colaboração e trabalho em equipe, como o estabelecimento de canais de comunicação como incentivo a projetos interdepartamentais que quebram os silos e promovem a colaboração, como “Estratégia em Foco” e “Encontro com Gestores”.

Também focamos na promoção de uma cultura de transparência e ética para garantir acesso aos dados e recursos necessários, e na oferta de oportunidades de treinamento e desenvolvimento para estimular habilidades necessárias para uma colaboração eficaz, através do “Programa Impulso” de intraempreendedorismo e o “Rota Inovação”.

9 – Quais são as estratégias-chave que você adota para engajar funcionários, pacientes e comunidade local nas iniciativas de responsabilidade social do Hospital?

A principal iniciativa é criar formas de engajamento. No HSL estamos delineando um Plano Estratégico de Filantropia, no qual a cooperação pública, privada e societal serão fundamentais. O diálogo tende a ser cada vez mais essencial para promover uma reestruturação socialmente responsável. Uma das estratégias é a ampliação do Voluntariado Sírio-Libanês, que desde 1980 atua focado no atendimento de pacientes, acompanhantes e familiares. 

10 – De que formas você avalia o impacto das ações de responsabilidade social do Hospital Sírio-Libanês na comunidade atendida e na sociedade em geral?

O Hospital Sírio-Libanês avalia o impacto de suas ações de responsabilidade social como muito positivo, destacando ações de filantropia estratégica, o PROADI-SUS, o Voluntariado e o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL), que reforçam o compromisso com a comunidade atendida. 

Nos últimos anos, foram desenvolvidos projetos que melhoraram a qualidade de vida das famílias em São Paulo, incluindo atividades de saúde, cultura, educação e geração de renda.

Em 2024, estamos concentrando projetos de impacto, como o “Apoio à Saúde da criança e adolescente quilombola do Vale do Ribeira” e a promoção de ações alinhadas à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030).

Leia essa e outras matérias na edição 93 da revista Healthcare ManagementClique aqui.

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