Page 72 - Revista HealthARQ - Edição 28
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IGO
Tudo o que é sólido desmanchará no ar
Que seja imortal en- tão quase estáticos, tentando ções complexas e de poder te, o sobrenome “hospitalar”,
quanto dure, e que só sair da inércia da sua solidez. multifacetado, tem matrizes acabaram incorporando ou, se
dure enquanto produ- de responsabilidade difusas, submetendo, demasiadamente,
zir felicidade... Hospitais devem ser flexíveis confusões e conflitos de atri- a esse conservadorismo.
para acompanhar a sua dinâ- buições. Não é raro que nos
Falando de prédios, obvia- mica. Ao longo do tempo, os ambientes de decisão de in- Na outra ponta, naquilo que
mente. E de hospitais, parti- edifícios de saúde mais bus- fraestrutura, obra ou projeto, o espaço do hospital abriga, a
cularmente. caram do que encontraram a ainda se procurar a solidez, a saúde é um dos campos com
flexibilidade, que sempre foi “qualidade” de 40 anos atrás, mais potencial e ações de ino-
Prédios não são importan- relativa e, até sacrificável em a perpetuação de soluções vação, de mudanças de con-
tes, importante é o que acon- nome de vontades, boas ou conhecidas porque elas sem- ceito, processos, tecnologia e
tece dentro deles. Prédios de más, imposições de progra- pre funcionaram, a fuga do concepção de negócio.
um lado, Vida do outro, entre mas e normas e restrições de novo, associado ao risco, tão
eles a Arquitetura, pensamen- custos e rotinas operacionais. grave como o risco de mor- Já, já, teremos um abismo
to, organização e desenho do A velocidade da necessidade te. Há uma tendência a tratar entre o conteúdo e o conti-
espaço, mediadora da relação nunca foi acompanhada pela hospitais como edifícios mais nente, porque as necessida-
entre os dois. velocidade da solução, mas diferentes do que realmente des de organização de espa-
ambas eram baixas e, logo, são, trata-lo como se fosse ço que a sociedade demanda
Pensar o espaço, pensar a uma alcançava a outra. Com um paciente frágil, tão frágil vem numa velocidade muito
vida, a sociedade e a tecnolo- o tempo a velocidade da so- quanto o mais frágil de seus maior que nossos hospitais
gia, porque tudo que aconte- lução foi ficando mais baixa pacientes, vulnerável, incapaz e edifícios de saúde dinâmi-
ce, acontece no espaço. e a velocidade das mudanças e que precisa ser, mais do que cos, flexíveis e sólidos podem
necessárias, mais alta. Hoje, cuidado, vigiado e protegido acompanhar. Precisamos falar
Estamos, de fato, pensando quando a solução alcança a do perigoso mundo criativo. de outra dinâmica, mais dinâ-
e construindo para o que está necessidade, ela já mudou. Vistos ou concebidos como mica, de outra flexibilidade,
acontecendo? máquinas que curam, onde mais flexível e, de uma solidez,
O ciclo de produção do es- qualquer desvio dos precei- menos sólida.
Hospitais são dinâmicos. paço de um hospital, da neces- tos e normas de fluxos e as-
Hospitais são flexíveis. Hospi- sidade até a implantação, dura sepsia pode matar, precisam É preciso que o espaço do
tais são feitos para durar pelo anos. Processos de gestão do se esforçar para lembrar que hospital seja uma resposta
menos 50 anos. Hospitais preci- tipo “gato escaldado” com são espaços humanos e hos- aos problemas de espaço que
sam ser sólidos para serem se- foco no controle, para o bem e pitaleiros. Liberdade concedi- estão se colocando agora e
guros. Mantras ou dogmas de para o mal, tendem a congelar da e restrita para fachadismos serão cada vez mais inéditos.
planejamento físico e projeto projeto e obra, mesmo quando ou interiores mais elaborados Antes de tudo, será necessário
de edifícios de saúde, exausti- estes precisam ser alterados, para denotar requinte ou criar entende-los, porque os pro-
vamente repetidos nas últimas atualizados e melhorados, in- a ilusão de que não se está blemas precedem as soluções.
décadas. Ainda válidos, mas clusive para redução de custos num hospital e sim num hotel, E a solução será adaptável e
como todo clichê, empobrece o de implantação e operação. portanto não se está doente, readaptável, com baixo im-
pensamento, e sem pensamen- se está em férias! pacto operacional, com segu-
to não há arquitetura. Durante muito tempo, a so- rança, e de forma sustentável
lidez foi o maior valor de uma Hospitais, independente de econômica e ambientalmente.
Dinâmica tem a ver com mo- construção. Prédios sólidos sua eficiência, sempre estiveram
vimento e movimento pressu- que abrigariam a solidez da na retaguarda da implantação Como será o espaço de saú-
põe referencial. Qual é o refe- vida que queremos eterna. de medidas modernizadoras de da telemedicina? Da inter-
rencial? Se for uma residência, Sólidos para simbolizar a so- de administração e gestão do net das coisas, com todos os
um museu, até alguns prédios lidez de nossas instituições, espaço físico. De modo geral, elementos da construção ge-
comerciais, hospitais sempre nosso poder, nossas verdades hospitais são ambientes con- rando informações o tempo
tiveram programas mais di- e nossas mentiras. Prédios servadores, aprisionados na todo? Como conversar com
nâmicos e necessidades de para atravessar gerações, con- solidez de soluções consagra- essas coisas? Como reagir ao
transformação mais intensa. tando a nossa história, preser- das. Arquitetura e Engenharia, excesso de informação? Que
Por outro lado, se considerar- vando nosso legado. ao adotarem, equivocadamen- espaços vão surgir dessa in-
mos o potencial e o estágio da teração? Há uma nova meto-
evolução da tecnologia e ino- Ambiente de projetos e dologia e habilidades a serem
vação, sobretudo em saúde, obras de hospitais, organiza- desenvolvidas para que a Ar-
formas de gestão e organiza-
ção do trabalho, hospitais es-
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Tudo o que é sólido desmanchará no ar
Que seja imortal en- tão quase estáticos, tentando ções complexas e de poder te, o sobrenome “hospitalar”,
quanto dure, e que só sair da inércia da sua solidez. multifacetado, tem matrizes acabaram incorporando ou, se
dure enquanto produ- de responsabilidade difusas, submetendo, demasiadamente,
zir felicidade... Hospitais devem ser flexíveis confusões e conflitos de atri- a esse conservadorismo.
para acompanhar a sua dinâ- buições. Não é raro que nos
Falando de prédios, obvia- mica. Ao longo do tempo, os ambientes de decisão de in- Na outra ponta, naquilo que
mente. E de hospitais, parti- edifícios de saúde mais bus- fraestrutura, obra ou projeto, o espaço do hospital abriga, a
cularmente. caram do que encontraram a ainda se procurar a solidez, a saúde é um dos campos com
flexibilidade, que sempre foi “qualidade” de 40 anos atrás, mais potencial e ações de ino-
Prédios não são importan- relativa e, até sacrificável em a perpetuação de soluções vação, de mudanças de con-
tes, importante é o que acon- nome de vontades, boas ou conhecidas porque elas sem- ceito, processos, tecnologia e
tece dentro deles. Prédios de más, imposições de progra- pre funcionaram, a fuga do concepção de negócio.
um lado, Vida do outro, entre mas e normas e restrições de novo, associado ao risco, tão
eles a Arquitetura, pensamen- custos e rotinas operacionais. grave como o risco de mor- Já, já, teremos um abismo
to, organização e desenho do A velocidade da necessidade te. Há uma tendência a tratar entre o conteúdo e o conti-
espaço, mediadora da relação nunca foi acompanhada pela hospitais como edifícios mais nente, porque as necessida-
entre os dois. velocidade da solução, mas diferentes do que realmente des de organização de espa-
ambas eram baixas e, logo, são, trata-lo como se fosse ço que a sociedade demanda
Pensar o espaço, pensar a uma alcançava a outra. Com um paciente frágil, tão frágil vem numa velocidade muito
vida, a sociedade e a tecnolo- o tempo a velocidade da so- quanto o mais frágil de seus maior que nossos hospitais
gia, porque tudo que aconte- lução foi ficando mais baixa pacientes, vulnerável, incapaz e edifícios de saúde dinâmi-
ce, acontece no espaço. e a velocidade das mudanças e que precisa ser, mais do que cos, flexíveis e sólidos podem
necessárias, mais alta. Hoje, cuidado, vigiado e protegido acompanhar. Precisamos falar
Estamos, de fato, pensando quando a solução alcança a do perigoso mundo criativo. de outra dinâmica, mais dinâ-
e construindo para o que está necessidade, ela já mudou. Vistos ou concebidos como mica, de outra flexibilidade,
acontecendo? máquinas que curam, onde mais flexível e, de uma solidez,
O ciclo de produção do es- qualquer desvio dos precei- menos sólida.
Hospitais são dinâmicos. paço de um hospital, da neces- tos e normas de fluxos e as-
Hospitais são flexíveis. Hospi- sidade até a implantação, dura sepsia pode matar, precisam É preciso que o espaço do
tais são feitos para durar pelo anos. Processos de gestão do se esforçar para lembrar que hospital seja uma resposta
menos 50 anos. Hospitais preci- tipo “gato escaldado” com são espaços humanos e hos- aos problemas de espaço que
sam ser sólidos para serem se- foco no controle, para o bem e pitaleiros. Liberdade concedi- estão se colocando agora e
guros. Mantras ou dogmas de para o mal, tendem a congelar da e restrita para fachadismos serão cada vez mais inéditos.
planejamento físico e projeto projeto e obra, mesmo quando ou interiores mais elaborados Antes de tudo, será necessário
de edifícios de saúde, exausti- estes precisam ser alterados, para denotar requinte ou criar entende-los, porque os pro-
vamente repetidos nas últimas atualizados e melhorados, in- a ilusão de que não se está blemas precedem as soluções.
décadas. Ainda válidos, mas clusive para redução de custos num hospital e sim num hotel, E a solução será adaptável e
como todo clichê, empobrece o de implantação e operação. portanto não se está doente, readaptável, com baixo im-
pensamento, e sem pensamen- se está em férias! pacto operacional, com segu-
to não há arquitetura. Durante muito tempo, a so- rança, e de forma sustentável
lidez foi o maior valor de uma Hospitais, independente de econômica e ambientalmente.
Dinâmica tem a ver com mo- construção. Prédios sólidos sua eficiência, sempre estiveram
vimento e movimento pressu- que abrigariam a solidez da na retaguarda da implantação Como será o espaço de saú-
põe referencial. Qual é o refe- vida que queremos eterna. de medidas modernizadoras de da telemedicina? Da inter-
rencial? Se for uma residência, Sólidos para simbolizar a so- de administração e gestão do net das coisas, com todos os
um museu, até alguns prédios lidez de nossas instituições, espaço físico. De modo geral, elementos da construção ge-
comerciais, hospitais sempre nosso poder, nossas verdades hospitais são ambientes con- rando informações o tempo
tiveram programas mais di- e nossas mentiras. Prédios servadores, aprisionados na todo? Como conversar com
nâmicos e necessidades de para atravessar gerações, con- solidez de soluções consagra- essas coisas? Como reagir ao
transformação mais intensa. tando a nossa história, preser- das. Arquitetura e Engenharia, excesso de informação? Que
Por outro lado, se considerar- vando nosso legado. ao adotarem, equivocadamen- espaços vão surgir dessa in-
mos o potencial e o estágio da teração? Há uma nova meto-
evolução da tecnologia e ino- Ambiente de projetos e dologia e habilidades a serem
vação, sobretudo em saúde, obras de hospitais, organiza- desenvolvidas para que a Ar-
formas de gestão e organiza-
ção do trabalho, hospitais es-
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