Tecnologia, eficiência e a importância de manter o relacionamento humano.
Recentemente participei de um evento de imersão em Boston, promovido pelo Atrion – Centro de Inovação do Hospital Moinhos de Vento. Foram dias de aprendizado e visitas guiadas em Harvard, no MIT e Babson.
É impressionante como a Inteligência Artificial vem transformando rapidamente diversos setores da economia e da sociedade.
Obviamente a ênfase desta experiência foi a Saúde, mas na condição de um dos únicos, não médicos, participantes da missão, e como engenheiro pude transferir alguns conceitos para o impacto na construção civil e perceber de forma concreta seu potencial de aceleração.
Nas obras destinadas à área da saúde, essa transformação pode ser ainda mais relevante. Hospitais, clínicas, centros de diagnóstico e demais empreendimentos assistenciais são projetos de elevada complexidade, nos quais decisões aparentemente pequenas podem produzir impactos significativos em custos, prazos, operação e, principalmente na qualidade do atendimento futuro.
A IA tem potencial para apoiar a gestão das obras desde as etapas iniciais de planejamento até a entrega e a operação do empreendimento.
A análise de grandes volumes de dados permite identificar riscos, antecipar desvios de cronograma, comparar alternativas construtivas, otimizar recursos e melhorar a previsibilidade dos projetos. Ferramentas inteligentes também podem contribuir para o acompanhamento físico-financeiros, suprimentos, análise de produtividade e identificação antecipada de possíveis incompatibilidade entre projetos.
No setor da saúde, entretanto, a tecnologia precisa ser acompanhada de conhecimento especializado. Uma obra hospitalar não pode ser tratada apenas como mais um projeto de engenharia.
Fluxo assistenciais, segurança dos pacientes, controle de infecções, flexibilidade operacional (é certo que vão ocorrer alterações de uso ao longo da vida útil), instalações especiais e tecnologias médicas fazem com que cada decisão construtiva tenha consequências que ultrapassam o canteiro de obras.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial pode ampliar a capacidade de análise das equipes, mas não substitui a experiência, o julgamento, e principalmente o relacionamento entre as pessoas. Quanto maior a utilização de tecnologia, mais importante se torna preservar um canal direto e permanente de comunicação com o cliente.
A gestão de uma obra de saúde exige proximidade.
O cliente não contrata apenas uma empresa para executar um projeto; ele confia a materialização de uma estratégia que terá impacto na operação da instituição durante muitos anos. Ao longo da obra surgem mudanças de necessidades, novas tecnologias, revisões de processos e decisões que nem sempre estavam previstas no planejamento original.
É nesse momento que a relação de confiança e capacidade de diálogo fazem a diferença, pois como costumo dizer repetidamente, fazemos obras e construímos relacionamento.
A IA pode gerar informações mais rápidas e precisas, mas é o relacionamento que permite interpretar essas informações dentro da realidade e dos objetivos de cada cliente. Um alerta automático sobre um possível atraso, por exemplo é valioso.
Julgo que mais valioso ainda é ter uma equipe capaz de discutir com o cliente as consequências, avaliar alternativas e tomar conjuntamente a melhor decisão. Por isso, a evolução tecnológica não deve significar o afastamento das relações humanas.
Ao contrário: quanto mais eficientes forem os sistemas de gestão, mais tempo os profissionais deveriam ter para se dedicar ao que nenhuma tecnologia consegue substituir integralmente – a escuta, a compreensão das necessidades e a construção de uma relação de confiança.
O futuro da gestão de obras da saúde estará, portanto, na combinação entre inteligência artificial e inteligência humana, principalmente a emocional.
Empresas capazes de utilizar dados para aumentar a eficiência, sem perder a proximidade com seus clientes, estarão mais preparadas para enfrentar a crescente complexidade dos empreendimentos. A tecnologia poderá tornar as obras mais previsíveis, eficientes e inteligentes.
Mas será a qualidade do relacionamento entre construtora e cliente que continuará fundamental para transformar um projeto em uma solução verdadeiramente alinhada às necessidades de quem irá utilizar e operar aquele espaço. Portanto, para finalizar gostaria de lembrar uma palavra para resumir esta integração.
Um KISS – Keep It Simple Stupid.
Pedro Tedesco Silber
Diretor-Presidente Construtora Tedesco















