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A liderança que prepara a própria ausência

Vice-presidente da SISQUAL® WFM, José Pedro Sousa Fernandes reflete sobre maturidade, sucessão e a formação de equipes preparadas para seguir sem depender da presença do líder.

Há um momento na trajetória de um líder em que crescer deixa de significar fazer mais. Passa a significar ser menos necessário.

José Pedro Sousa Fernandes chegou a essa conclusão depois de décadas entre gestão, operações e desenvolvimento de negócios. Vice-presidente da SISQUAL® WFM, ele acompanhou a transformação da empresa em uma operação global — processo que exigiu expansão, adaptação cultural e uma mudança em sua própria maneira de liderar.

Ao olhar para o início da carreira, José Pedro reconhece uma liderança marcada pela presença constante. Aos 30 anos, sua tendência era participar de praticamente todos os processos, decisões e negócios. A experiência mudou essa lógica.

“Hoje, penso que aprendi a delegar. E aprendi, sobretudo, que nós podemos ser bons líderes sem termos que estar tão presentes”, afirmou ao Grupo Mídia Cast. Para ele, uma liderança madura precisa ser sustentada por equipes capazes de funcionar sem depender permanentemente do chefe.

Essa percepção acompanhou também o crescimento da SISQUAL® WFM. Ao contribuir para transformar uma empresa nacional em uma organização global, José Pedro percebeu que replicar fórmulas conhecidas não seria suficiente. O Brasil mostrou isso de forma direta.

Na chegada ao país, uma das primeiras certezas abandonadas foi a ideia de que processos bem-sucedidos na Europa poderiam ser simplesmente reproduzidos por aqui. “Nós não vimos para ensinar, nós vimos para aprender”, resume. A virada ocorreu quando a organização deixou de tentar trazer Portugal para o Brasil e passou a construir uma operação verdadeiramente brasileira.

Valores, exigência, ética e qualidade deveriam permanecer. Processos, comunicação e formas de relacionamento precisavam ser revistos. Essa disposição para mudar também moldou sua leitura sobre liderança. “A persistência é a vontade de aprender e a teimosia é deixar de ouvir”, afirma.

O avanço internacional trouxe ainda o desafio de preservar proximidade à medida que a estrutura se torna maior. Para o executivo, crescer não deveria significar abandonar a capacidade de escuta que ajudou a construir a empresa.

“Agora, que tenho mais de 60, quero ser capaz de ensinar uma equipe a fazer sem mim.”

A mesma lógica aparece diante da inteligência artificial. José Pedro reconhece o potencial da tecnologia para ampliar eficiência e previsibilidade, mas estabelece um limite: conflitos, identificação de potencial e decisões que afetam diretamente outras pessoas continuam exigindo julgamento humano.

“A tecnologia ajuda-nos imenso, mas nunca nos vai substituir naquilo que é verdadeiramente humano”, diz. Para ele, uma das maiores contribuições da IA está justamente em devolver tempo aos líderes para ouvir, refletir e decidir melhor.

Depois de participar da abertura de novos mercados, José Pedro identifica outro território a conquistar. Não está no mapa. Está nas pessoas.

“Quando eu tinha 30 anos, eu queria ser capaz de fazer. Quando tinha 40 ou 50, queria ser capaz de ter uma equipe que fizesse comigo. Agora, que tenho mais de 60, quero ser capaz de ensinar uma equipe a fazer sem mim.”

A frase sintetiza sua visão de legado. Seu objetivo é que a SISQUAL® WFM avance para novas geografias sem depender diretamente dele. Experiência, em sua leitura, só se transforma em legado quando deixa de pertencer exclusivamente a quem a acumulou e passa a ser multiplicada pelas próximas lideranças.

Preparar a própria ausência, portanto, não significa se afastar. Significa formar pessoas capazes de levar o propósito adiante.

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