Fiocruz receberá investimento de R$ 330 milhões para produzir tratamento inovador, reduzir dependência externa e ampliar acesso pelo SUS.
O Governo Federal lançou, no Rio de Janeiro, o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T da Fundação Oswaldo Cruz. A iniciativa prevê investimento de R$ 330 milhões para produção nacional de tratamento avançado contra o câncer.
Com o projeto, o Brasil passará a fabricar integralmente uma das terapias mais inovadoras da medicina oncológica. Atualmente, o tratamento pode custar até US$ 400 mil por paciente no exterior.
Além disso, a proposta busca ampliar o acesso à terapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a dependência de insumos importados e fortalecendo a capacidade produtiva nacional.
Terapia CAR-T amplia estratégia nacional em inovação
A terapia CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente para combater tumores. Inicialmente, os profissionais coletam essas células e realizam modificações genéticas em laboratório.
Posteriormente, as células retornam ao organismo preparadas para identificar e eliminar as células cancerígenas.
Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia produzida pela Fiocruz será baseada no modelo duoCAR-T triespecífico. Dessa forma, o tratamento poderá reconhecer e atacar três alvos diferentes do câncer simultaneamente.
Além de ampliar a eficácia terapêutica, a estratégia busca reduzir riscos de recidiva da doença.
Produção nacional de terapia CAR-T reduz dependência externa
Outro ponto estratégico do projeto envolve a fabricação nacional dos vetores lentivirais, componentes essenciais para o desenvolvimento da terapia.
Até então, o Brasil dependia da importação desses materiais, considerados um dos principais fatores de alto custo do tratamento.
Nesse sentido, o laboratório Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz, passará a atuar diretamente na cadeia produtiva da terapia CAR-T.
Com isso, o país amplia sua soberania tecnológica e fortalece sua capacidade de produção em terapias avançadas.
Além disso, a expectativa é que o Brasil também possa fornecer os vetores lentivirais para outros países da América Latina futuramente.
Modelo descentralizado busca acelerar atendimento
A produção da terapia ocorrerá em laboratórios modulares instalados em contêineres próximos aos centros de atendimento.
Segundo o governo, o modelo reduz custos logísticos, agiliza o tratamento e facilita a expansão da estrutura para outras regiões brasileiras.
A primeira unidade já foi instalada no Rio de Janeiro e deverá apoiar os estudos clínicos previstos para o segundo semestre deste ano.
Antes da aplicação em larga escala, a tecnologia ainda precisará obter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Fiocruz amplia estrutura voltada à inovação em saúde
Durante a agenda, o governo também inaugurou o Centro de Desenvolvimento em Saúde (CDTS) da Fiocruz.
A nova estrutura será voltada ao desenvolvimento de vacinas, biofármacos, diagnósticos e tecnologias estratégicas para o SUS.
Além disso, o espaço oferecerá suporte técnico e infraestrutura para pesquisas conduzidas por instituições públicas e privadas da área da saúde.
Com os novos investimentos, o governo busca consolidar o Brasil como referência regional em pesquisa, inovação e produção tecnológica na saúde.















