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Qualidade orienta decisões

Indicadores, segurança e eficiência passam a pesar tanto quanto custos na hora de definir investimentos dentro do hospital

Em saúde, crescer não significa necessariamente ampliar estrutura ou aumentar produção. Também passa por reduzir variabilidade, usar melhor os recursos, antecipar riscos e escolher com mais precisão onde investir. Nesse cenário, a qualidade deixa de funcionar como uma camada de controle sobre a operação e passa a participar diretamente das decisões estratégicas do hospital.

Para a Dra. Luci Meire Pivelli Usberco, CEO do Hospital e Maternidade Sepaco, essa visão exige proximidade com o cotidiano assistencial. “Não acredito em uma gestão distante da operação. Precisamos entender o impacto assistencial, operacional e econômico de cada decisão,” afirma. É essa leitura que, segundo ela, oferece mais segurança para priorizar investimentos, corrigir rotas e identificar oportunidades.

A lógica aparece também na forma como a instituição encara processos de acreditação. Na conquista recente da JCI, mais de mil quesitos relacionados à segurança do paciente, qualidade, gestão, infraestrutura e competência das equipes foram avaliados. Para Luci, porém, o efeito relevante começa depois do reconhecimento. “Esse olhar externo é extremamente importante, mas o verdadeiro resultado acontece quando incorporamos esse padrão à rotina.”

Quando critérios de qualidade passam a orientar práticas e indicadores, eles também interferem na eficiência. Reduzir variabilidade, prevenir eventos, melhorar a comunicação entre equipes e tornar processos mais previsíveis significa combinar segurança assistencial e desempenho operacional.

Essa mesma lógica orienta os investimentos em alta complexidade. Antes de incorporar uma tecnologia, o hospital avalia qual problema ela resolve, quem será beneficiado, quais resultados são esperados e se a estrutura e as equipes estão preparadas para utilizá-la com segurança. “Portanto, a pergunta que fazemos não é simplesmente ‘quanto custa?’. É ‘qual valor esse investimento entrega para o paciente e para a instituição?’. E esse valor precisa ser acompanhado por indicadores.”

A ECMO é um exemplo citado pela executiva. Por exigir equipe multidisciplinar, protocolos e infraestrutura específica, a tecnologia só faz sentido quando existe uma cadeia assistencial preparada para entregar o resultado esperado.

A sustentabilidade também entra nessa equação. Em 2024, o hospital registrou economia média de 21% com a migração para o mercado livre de energia, além de investir na modernização dos sistemas de refrigeração e em ações ligadas à água, iluminação, equipamentos e resíduos. Para Luci, eficiência ambiental e operacional caminham juntas quando a redução de consumo e custos não comprometem a assistência.

O equilíbrio entre qualidade, eficiência, tecnologia e pessoas também orienta a próxima etapa de desenvolvimento. A intenção é fortalecer linhas em que o hospital já possui expertise, especialmente alta complexidade e materno-infantil, enquanto avalia novas oportunidades e amplia sua capacidade física.

“Nosso foco agora é assegurar que o desenvolvimento atual se mantenha sólido e sustentável no futuro, gerando valor de forma contínua”, resume Luci.

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