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Quando integrar gera capacidade 

Sistemas desconectadas não geram apenas retrabalho: podem esconder capacidade assistencial que hospitais já possuem 

Com o avanço da digitalização na saúde, hospitais e operadoras ainda convivem com sistemas pouco conectados, bases fragmentadas e fluxos que não compartilham informação de forma eficiente. Para Marcos Sobral, diretor de Tecnologia da Noxtec, a desconexão entre sistemas começa a aparecer como uma questão de produtividade.

Segundo Sobral, um dos custos menos visíveis é a falta de integração. “O custo mais relevante é a capacidade que a instituição possui, mas não consegue utilizar plenamente. A fragmentação interrompe os fluxos de trabalho e faz com que profissionais procurem informações que já existem”, afirma. 

O efeito chega à operação de diferentes maneiras. Informações precisam ser buscadas em bases distintas, pacientes repetem etapas e agendas, leitos ou equipamentos podem permanecer subutilizados mesmo diante de demanda elevada. Há ainda um impacto sobre a própria gestão: quando os dados permanecem dispersos, as lideranças não conseguem enxergar partes da operação e têm mais dificuldade para identificar as causas de atrasos, gargalos e desperdícios.

Por isso, Sobral diferencia a conexão de interoperabilidade. “Conectar dois sistemas permite transportar dados. A interoperabilidade precisa assegurar que esses dados sejam compreendidos e utilizados corretamente.” Além de envolver padrões tecnológicos, a governança também possui um papel importante: origem da informação, finalidade, qualidade e condições de compartilhamento precisam estar claramente definidas.

A inteligência artificial entra nessa lógica quando aplicada a problemas específicos e mensuráveis. A Noxtec já ultrapassou 3 milhões de documentos de prontuário revisados com IA. Para Sobral, porém, o número isolado não define o resultado. “Esse volume demonstra capacidade de processamento, mas o valor está na utilização dos achados para melhorar a qualidade dos registros e orientar o trabalho das equipes”, explica. 

O mesmo vale para infraestrutura em nuvem. Mais de 500 unidades de saúde utilizam ambientes em cloud gerenciados pela empresa, e alguns projetos registraram redução de até 40% nos custos de infraestrutura. Sobral ressalta que o percentual varia conforme a arquitetura e a situação inicial de cada organização, mas aponta uma mudança significativa: quando prontuários, exames e processos assistenciais dependem do ambiente digital, a disponibilidade deixa de ser assunto exclusivo da TI e passa a interessar diretamente à direção.

A telessaúde oferece outro exemplo de capacidade redistribuída. A operação da Noxtec supera 300 mil teleconsultas por ano. Em Angra dos Reis, segundo Sobral, a teleconsulta permitiu zerar em dois meses a fila para psiquiatria adulta e infantil e clínica médica, deslocando  especialistas e ampliando o alcance de estruturas já existentes.

Para o executivo, é justamente essa capacidade de transformar dados e infraestrutura em operação que define a maturidade digital. “Digitalizar registros representa uma etapa. Integrar informações e transformar esses dados em decisões capazes de melhorar o cuidado representa uma etapa mais avançada”,

O critério central está no impacto concreto que a tecnologia produz na operação e no cuidado. A avaliação pode comparar o cenário antes e depois de cada implantação, observando tempo de espera, utilização de agendas, retrabalho, qualidade e continuidade do cuidado. “Dessa forma, conseguimos demonstrar que a tecnologia melhorou a capacidade de cuidar, em vez de substituir um processo manual por outro digital.”

 

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