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Brasil chega a 31 mil transplantes de órgãos; HC de Ribeirão Preto destaca logística

País realizou 31 mil procedimentos, impulsionado por avanços na logística nacional, integração entre equipes e ampliação da estrutura de captação de órgãos.

O Brasil alcançou um recorde histórico em transplantes em 2025. Ao todo, o país realizou 31 mil procedimentos, número 21% superior ao registrado em 2022, quando foram contabilizados 25,6 mil transplantes. O avanço reflete, sobretudo, a modernização da logística nacional, a organização do sistema e a ampliação das equipes envolvidas na captação e no transporte de órgãos.

Além disso, a consolidação da distribuição interestadual tem ampliado o acesso de pacientes que aguardam por um órgão compatível. Segundo o Ministério da Saúde, a Central Nacional de Transplantes tem papel decisivo nesse processo, especialmente em casos que envolvem órgãos mais sensíveis ao tempo de isquemia, como coração, pulmão e fígado.

Logística integrada sustenta crescimento

A expansão dos transplantes no Brasil depende de uma operação de alta complexidade. Equipes multidisciplinares atuam 24 horas por dia na identificação de potenciais doadores, no acolhimento das famílias e na articulação com hospitais, centrais estaduais e equipes médicas.

Em Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas se mantém como referência em transplantes e captação de órgãos. Durante entrevista à CBN Ribeirão Preto, Marcelo Bonvento, coordenador da Organização de Procura de Órgãos da unidade, destacou que o crescimento envolve treinamento contínuo, integração entre serviços e fortalecimento da logística de transporte.

Nesse sentido, o sistema avalia diferentes modais, como carro, helicóptero e avião. A operação também envolve o deslocamento de equipes médicas e insumos. Em alguns casos, portanto, os órgãos atravessam estados até chegar ao receptor compatível.

Transporte de órgãos ganha escala

O Ministério da Saúde aponta que a articulação com companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira tem contribuído para ampliar a agilidade da logística nacional. Em 2025, o país realizou 4.808 voos para transporte de órgãos, equipes e materiais, aumento de 22% em relação a 2022.

Essa estrutura é essencial para reduzir perdas de órgãos e ampliar a viabilidade de transplantes em diferentes regiões. Além disso, a distribuição interestadual viabilizou, em 2025, 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e 4 de pâncreas, segundo dados do governo federal.

Recusa familiar ainda limita avanço

Apesar do recorde, a doação de órgãos ainda enfrenta entraves. A recusa familiar permanece entre os principais desafios do sistema brasileiro de transplantes. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação, o que limita o número de procedimentos possíveis.

Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar sobre o tema em casa. No Brasil, a autorização para doação depende da família. Assim, quando o desejo do potencial doador é conhecido, a decisão tende a ocorrer com mais segurança.

Segundo Bonvento, regiões como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Campinas apresentam índices menores de recusa. Ainda assim, o país precisa ampliar a conscientização sobre o impacto da doação.

Sistema público é referência internacional

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Além disso, o SUS financia a maior parte dos procedimentos realizados no país. A estrutura nacional combina regulação, equipes especializadas, centrais estaduais, logística aérea e critérios técnicos para garantir segurança e igualdade no acesso.

Durante a entrevista, Bonvento afirmou que o sistema passa por atualizações constantes. Segundo ele, as mudanças buscam garantir transparência, segurança e melhor resposta operacional em todo o território nacional.

Após a autorização familiar, o processo de captação e preparação pode ocorrer em cerca de oito horas. Em muitos casos, o transplante acontece em menos de 24 horas após a doação.

Dessa forma, o recorde de 2025 indica mais do que crescimento numérico. Ele mostra uma cadeia assistencial mais integrada, com logística mais eficiente e maior capacidade de resposta. No entanto, a ampliação dos transplantes ainda depende de um ponto decisivo: aumentar a adesão das famílias à doação de órgãos.

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