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Engenharia e gestão da saúde

O papel da infraestrutura na transformação do setor

A trajetória de Salim Lamha Neto atravessa cinco décadas de transformações na forma de projetar e construir hospitais no Brasil. Formado em engenharia mecânica, seu ingresso no setor de saúde não foi imediato, mas resultado de um percurso técnico construído a partir de projetos industriais e instalações especiais, base que mais tarde se mostraria decisiva para atuar em um dos campos mais complexos da infraestrutura brasileira.

Em meio a um contexto adverso, fundou a MHA Engenharia. “A dificuldade de acesso ao planejamento industrial, limitada pelo sigilo das grandes plantas, levou a empresa a buscar novos campos de atuação”, conta. A entrada no setor de saúde marcou uma inflexão estratégica, consolidada por parcerias com nomes centrais da arquitetura hospitalar brasileira e pela aproximação com ambientes acadêmicos.

Durante esse percurso, uma premissa orientou sua atuação: a de que “o hospital é, por definição, uma obra inacabada”, diz. A ideia, herdada de referências da engenharia hospitalar, reflete a compreensão de que a evolução contínua da medicina, da tecnologia e dos modelos assistenciais exige edifícios capazes de adaptação permanente. 

As mudanças de paradigma vividas pela engenharia hospitalar, do desenho manual à digitalização avançada, da obra artesanal à construção industrializada, trouxeram ganhos de eficiência, mas também novos desafios. Para Lamha, “o avanço tecnológico só cumpre seu papel quando serve ao projeto e não o engessa, exigindo integração precoce entre equipes técnicas e gestores para antecipar interferências e reduzir riscos”.

No horizonte do setor, identifica tendências estruturais como a verticalização dos serviços, a ampliação de modelos de investimento e o fortalecimento de parcerias público-privadas. 

Ao falar em legado, evita definições personalistas. Para ele, o impacto mais duradouro está na formação de profissionais capazes de atuar de forma integrada e na defesa permanente do aprendizado contínuo. “Em um setor em constante mutação, a capacidade de escutar, adaptar e aprender permanece como requisito central para quem conduz decisões de longo prazo na saúde”, defende.

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