Cesar Giannotti defende integração, interoperabilidade e gestão baseada em dados para transformar a experiência do paciente
Ao longo da última década, poucos setores passaram por transformações tão profundas quanto a saúde. A digitalização de processos, a ampliação do uso de dados, o avanço da inteligência artificial e a busca por modelos assistenciais mais eficientes vêm redesenhando a forma como pacientes, profissionais e instituições se relacionam. Nesse cenário, a discussão deixou de ser apenas sobre tecnologia e passou a envolver a capacidade de conectar informações, pessoas e decisões ao longo de toda a jornada de cuidado.
É a partir dessa perspectiva que Cesar Giannotti, COO e sócio da Mevo, enxerga o momento atual do setor. Com mais de duas décadas de experiência em tecnologia e saúde, incluindo atuação internacional, o executivo acompanhou de perto a evolução dos modelos digitais.
Sua trajetória começou no universo da tecnologia, com projetos globais de implementação de sistemas corporativos. Posteriormente, a passagem por uma gigante da saúde o aproximou dos desafios do setor. “Foi onde tomei a decisão de migrar 100% para o business. Crescemos a base de clientes, evoluímos em produto e solução, e o gosto por isso foi tão grande que decidi construir algo praticamente do zero”, relembra.
Para Giannotti, a principal transformação observada nos últimos anos está na forma como o setor passou a compreender o papel da tecnologia. Se antes ela era vista como suporte operacional, hoje se tornou infraestrutura estratégica para a sustentabilidade do sistema.
Ainda assim, o executivo acredita que existe uma distância significativa entre o potencial das soluções digitais e o que efetivamente chega ao paciente.
“Meu papel tem sido justamente encurtar essa distância: traduzir complexidade em soluções práticas, escalar o que funciona e defender uma visão de saúde que coloque a experiência do paciente no centro”, afirma.
Essa visão está diretamente relacionada a um dos desafios históricos da saúde brasileira: a fragmentação da informação. Em um sistema composto por hospitais, operadoras, clínicas, profissionais, indústria e governo, a ausência de integração gera desperdícios, retrabalho e dificuldades para acompanhar a jornada assistencial de forma contínua.
Segundo Giannotti, a interoperabilidade será um dos pilares da próxima década. “Sistemas que não conversam entre si são o maior obstáculo para uma jornada de cuidado eficiente”, observa.
Apesar dos avanços tecnológicos, o COO destaca que os maiores desafios do setor continuam sendo estruturais. O acesso desigual aos serviços e a baixa maturidade em prevenção ainda representam obstáculos relevantes para a construção de um sistema mais eficiente.
Diante desse cenário, ele defende uma atuação mais colaborativa entre empresas, prestadores, operadoras e poder público.
Na sua avaliação, “nenhuma organização será capaz de resolver isoladamente os desafios da saúde brasileira”.
Ao projetar os próximos dez anos, Giannotti afirma que sua principal ambição vai além do crescimento empresarial. O objetivo é contribuir para que conceitos como gestão baseada em dados, integração entre os agentes do sistema e cuidado centrado no paciente deixem de ser diferenciais competitivos e passem a representar o padrão esperado para o setor.
“É possível inovar com responsabilidade. Liderar em saúde é um privilégio enorme porque poucas indústrias têm tanto impacto direto na vida das pessoas”, conclui.















